A presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-MG), Célia Rennó, prestigiou, no último dia 30 de março, o Seminário “Água para todos”, realizado pela organização não governamental Ponto Terra. O encontro reuniu, no auditório do CREA-MG, personalidades políticas e acadêmicas do cenário ambiental e científico brasileiro, que expressaram sua visão sobre a gestão dos recursos hídricos no Brasil.
Ronaldo Vasconcelos, presidente da entidade, destacou que o seminário comemora os 12 anos de fundação da Ponto Terra, o Dia Mundial da Água e presta uma homenagem ao pesquisador e mestre em Ciências Físicas, doutor José Israel Vargas, com a entrega do Prêmio Ambiental Ponto Terra.
Após as boas vindas, o presidente da Ponto Terra relembrou a trajetória da ONG e os avanços alcançados na gestão dos recursos hídricos no Brasil, desde a aprovação da Política Nacional dos Recursos Hídricos em 1997. “A legislação é muito nova, e apesar dos avanços, tudo faz parte de um processo recente, que precisa avançar mais até chegarmos a uma gestão de fato sustentável dos recursos naturais”, disse.
Já o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), Adriano Magalhães, destacou a falta de planejamento e o crescente deslocamento da população rural para área urbana como um grande responsável pela pressão sobre os recursos naturais. Segundo ele, mais de 25% de toda a madeira extraída é consumida na construção civil, assim como também é alto o consumo de ferro, areia, brita, cimento e água. “E é justamente na água, que temos visto os maiores desmandos. Já estamos vivendo conflitos de toda ordem e precisamos encontrar a solução”, defendeu.
Adriano Magalhães defende que nesse contexto, os Comitês de Bacia Hidrográfica são elos fundamentais entre o governo e a sociedade na consolidação da governança. “O comitê é um importante protagonista, um elo entre o governo e a sociedade na implementação de políticas públicas. Temos que fortalecer a participação da sociedade através das câmaras, conselhos e comitês e manter toda a visão voltada para a bacia hidrográfica”, disse.
Ele também destacou a importância de eventos como o “Água para todos”, na ampliação das discussões sobre a gestão das águas, relembrando sua recente participação no Fórum Mundial da Água, em Marselha na França, e no Simpósio Luso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental realizado pela Abes em Belo Horizonte.
Ronaldo Vasconcelos disse que a Ponto Terra, resgatando a história dos conselhos, decidiu homenagear um mineiro de Paracatu, que prestou grandes serviços a Minas e ao país no setor científico e tecnológico, o professor José Israel Vargas.
O pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), que também foi Ministro de Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia, agradeceu a homenagem e dedicou-a a todos que contribuíram com seu trabalho ao longo de sua trajetória.
Vargas iniciou suas palavras afirmando que só a tecnologia pode mitigar os problemas causados pela ação do homem no ambiente e que é preciso planejar e agir por bacias. Em seguida, manifestou grande preocupação com as águas do rio São Francisco, afirmando: “Estou preocupado com a sorte do rio São Francisco, que assim como os demais rios do Brasil, também é alimentado por chuvas. Isso porque as mudanças climáticas e a ocupação do Cerrado tem modificado a ocorrência dessas chuvas e alterado a impermeabilização do solo, por conta do uso discriminado do calcário usado para torná-lo mais produtivo. Essas mudanças me permitem afirmar, com quase certeza, que a transposição de água do São Francisco não subsistirá devido à falta de água para ser transportada, caso o Cerrado continue a manter o padrão de uso existente hoje”, garantiu.
Maurício Andrés Ribeiro, da Agência Nacional das Águas (ANA), representando o diretor Vicente Andreu, falou da atuação construtiva da Ponto Terra no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e completou o raciocínio de Vargas afirmando que todos os problemas relacionados à falta de sustentabilidade estão relacionados à ignorância. “A maior parte das ações desenvolvidas sem o devido conhecimento técnico científico tem causado impactos irreversíveis ao ambiente. Isso também é visível na relação dos indivíduos urbanos com a água, onde se percebe nitidamente que a compreensão do ciclo da água é fragmentada. Vivemos um tempo de “hidro alienação” que precisa ser superados pela “hidro consciência”, se quisermos melhorar os usos, e evitar a escassez”, defendeu.
Para finalizar, Ronaldo Vasconcelos convidou os representantes das Bacias Hidrográficas dos Rios Paraopeba, Mauro da Costa Val e do rio Paraíba do Sul, Geraldo Magela Sálvio para apresentarem suas experiências na gestão dos recursos hídricos.
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