Para onde vai o lixo que você coloca na porta de casa?

Selecionar o lixo em casa, colocando em sacos separados o lixo orgânico e em outro as latas, garrafas pet e embalagens tetra Pack já virou um hábito para muitas famílias. Mas em BH nem todos os consumidores têm em sua rua a presença dos catadores ou da coleta seletiva realizada pela SLU. Com isto o trabalho de muita gente acaba se tornando inútil, pois tudo o que cai no caminhão compactador, aquele de coleta comum, vira dejeto e vai para o aterro sanitário em Sabará, onde não existe o trabalho de triagem.

É importante lembrar que Belo Horizonte é uma das cidades que saíram à frente na busca de uma solução para dar uma destinação correta aos resíduos sólidos recicláveis. Mesmo assim ainda esbarra em muitas dificuldades. "O lixo é um desafio muito grande, todo mundo está buscando, mas ainda não existe uma solução". O desabafo e do diretor de Planejamento e Gestão da SLU, Lucas Paulo Gariglio. Ele explica que hoje existem dois tipos de coleta seletiva na capital mineira: os caminhões que passam toda semana em alguns bairros e o modelo ponto a ponto ou LEV - locais de entrega voluntária - que é o tipo de coleta mais comum em países da Europa.

Os LEVs estão instalados em 121 pontos da cidade e abrangem todas as regionais. Os containeres são identificados para receber papel, plástico, metal e vidro. Neste modelo o consumidor deve ir até o local de entrega voluntária e depositar os resíduos. BH já chegou a ter 136 pontos de coleta voluntária, mas muitos foram depredados e por isto retirados da região.

O outro modelo, que atende melhor os consumidores, é a coleta seletiva porta a porta. Os caminhões passam em dias determinados e coletam o resíduo reciclável deixado nas portas de casa. Hoje esta coleta é realizada na Região Centro-Sul, em uma parte das regiões Oeste, Nordeste, Barreiro e Bairro São Francisco, na Pampulha. Ao todo 30 bairros são atendidos. Mas ainda é pouco, pois BH possui cerca de 300 bairros. Ou seja, apenas 10% do lixo reciclável produzido na cidade têm a destinação correta.

Ampliar a coleta seletiva é o grande desafio

Belo Horizonte produz diariamente cerca de 3.800 toneladas de lixo, sendo que aproximadamente duas mil toneladas são de origem domiciliar e o restante são resíduos coletados pelos garis que fazem a varrição da cidade e pelo descarte de entulhos clandestinos. A coleta seletiva porta a porta e nos LEVs gira em torno de 30 a 40 toneladas/dia. Se todo o lixo reciclável fosse coletado separadamente chegaria perto de 300 toneladas.

De acordo com o diretor de Planejamento, Lucas Gariglio, a coleta seletiva não é ampliada porque existe uma restrição em função da destinação que se dá para os resíduos recicláveis. Ele explica que a Prefeitura de BH se antecipou à Política nacional de Resíduos Sólidos que determina que haja prioridade na entrega do material reciclável para as associações de catadores. "desde 93 consta na Lei Orgânica priorizar a entrega este material para as cooperativas. Hoje temos parceria com sete associações e nove galpões, mas as cooperativas não conseguem triar mais material do que entregamos atualmente", justifica.

A chefe do Departamento de Programas Especiais da SLU, Aurora Pederzoli informou que está prevista a construção de um galpão na região do Bonfim, com recursos proveniente do PAC-Governo Federal. Já está sendo licitada a contratação da empresa para a elaboração deste projeto. Mas ela faz uma ressalva: "entendemos que precisamos melhorar a produtividade dos catadores nos galpões existentes, antes de ampliar a coleta seletiva no município".

A vice-presidente da Cooperativa de catadores do Barreiro - Coopersoli - Elis Regina Silvério Pinho, reforça essa informação ao reclamar que o galpão onde atua recebe mais material do que pode comportar e o grupo que trabalha é pequeno para fazer a triagem das cinco toneladas que chegam ali diariamente. Segundo ela o espaço é pequeno e por isto a equipe de 42 catadores é dividia em dois grupos que trabalham cerca de 12 horas em dias alternados. "O galpão foi ampliado recentemente, mas segundo Elis Regina a obra não resolveu o problema" o cilo criado não comporta três caminhões, o resto do material que sobra é jogado na rampa e quando chove a gente perde praticamente tudo".

Perdem eles, o poder público e o meio ambiente, pois o lixo que seria reciclado vira dejeto e vai para o aterro. É essa realidade que a SLU quer mudar antes de ampliar a coleta seletiva. Até isso acontecer, toneladas de resíduos sólidos que poderiam ser reciclados continuam sendo levados para o aterro.

11-4-2011