Bióloga lança livro sobre corredor ecológico da Mantiqueira

O projeto Construção Participativa do Corredor Ecológico da Mantiqueira, primeiro corredor ecológico do estado, encerra suas atividades com a publicação do livro "Incorporando a Teoria ao Planejamento Regional da Conservação - A experiência do corredor ecológico da Mantiqueira".

A obra é resultado da tese de doutorado defendida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pela bióloga Gisela Hermann, que também é uma das coordenadoras do projeto e diretora presidente da ONG Valor Natural. O objetivo da publicação é promover a replicabilidade do modelo corredor ecológico como instrumento de desenvolvimento sustentável de uma região. O objetivo é que os novos corredores ecológicos aprendam com a experiência da Mantiqueira.

"Além disso, a ideia é que governo e sociedade organizada da região dêem continuidade ao projeto, planejando suas futuras ações na Mantiqueira com base no documento", conta Hermann, que explica que o livro vai além da parte teórica. "Para cada região do corredor, são propostas ações para conservar as florestas da Mantiqueira, região que concentra 20% do que restou da Mata Atlântica em Minas Gerais", completa a pesquisadora.

Na região das microbacias em torno da APA (Área de Proteção Ambiental) Fernão Dias, por exemplo, os esforços devem ser concentrados em ações de recuperação, para aumentar a cobertura florestal. "Vale inclusive plantios para exploração comercial da madeira ou sistemas agroflorestais porque a floresta está bastante fragmentada e a região é fundamental para a conservação da água que abastece a cidade de São Paulo", defende Gisela.

Já nas microbacias próximas ao Parque Nacional de Itatiaia e Parque Estadual da Serra do Papagaio, com áreas ocupadas pela pecuária leiteira, as ações de conservação devem envolver os órgãos de assistência técnica rural, buscando formas ambientalmente menos impactantes de uso de solo. "Também vale a pena nesta região incentivar a averbação de reservas legais, a criação de reservas particulares e programas de pagamentos por serviços florestais", completa.

O planejamento regional e a definição de áreas prioritárias para conservação são ferramentas modernas que podem fazer frente à velocidade da devastação ambiental. "São instrumentos que permitem uma ação antecipada, diminuindo os custos e impactos da utilização de recursos naturais. Essa possibilidade de aplicação no mundo real foi o que me motivou a desenvolver os estudos que deram origem ao livro", a bióloga.


7-4-2011

 

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