Uso de sacola plástica despenca

O Brasil deixou de produzir e consumir 3,9 bilhões de sacolas plásticas entre 2008 e 2010. Para este ano, a redução prevista é de 750 milhões de sacolinhas no varejo brasileiro. Os dados são das entidades organizadoras do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, desenvolvido pelo Instituto Nacional do Plástico (INP), Plastivida - Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos e Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief).

O programa, que conta com o apoio da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e de suas congêneres estaduais, é voltado para a conscientização da população sobre o uso responsável e descarte adequado de sacolas plásticas.

"Quando o consumidor se dá conta de que tem direito a uma sacola mais resistente, que pode ser reutilizada inúmeras vezes, além de carregar mais produtos, o varejo passa a ter um aliado na questão da diminuição do desperdício dessa embalagem", afirma o diretor executivo da Plastivida, Miguel Bahiense.

Presente nas cidades de São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis, o programa também promove o descarte correto, com ênfase na reciclagem (mecânica e energética).


Reduções totais - O Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas deu resultados desde o início. Em 2007, o consumo de sacolas era de 17,9 bilhões. Em 2008, passou para 16,4 bilhões, em 2009 para 15 bilhões e fechou 2010 em 14 bilhões. A expectativa para este ano é de que haja a redução no consumo de mais 750 milhões de unidades dessas embalagens, o que representa 26,3% menos de sacolinhas sendo consumidas de 2008 a 2011.

"Estamos próximos de atingir a marca dos 30%, proposta no lançamento do programa, marca que algumas das redes que participam conosco desta iniciativa, como o Pão de Açúcar, já superou em suas lojas", afirmou Bahiense.

A iniciativa conta hoje com a participação de quatro das seis maiores redes de supermercado do ranking da Abras (Pão de Açúcar, Zaffari, Prezunic e GBarbosa), além de dezenas de outras redes pelo Brasil. Além disso, mais de 5 mil pessoas, entre supervisores e operadores de caixa dos supermercados participantes foram treinadas para orientar os consumidores sobre o uso responsável das sacolinhas.

Escola de Consumo Responsável - Os idealizadores do programa também desenvolveram a Escola de Consumo Responsável, um projeto itinerante que leva os conceitos de uso responsável e descarte adequado dessas embalagens para todo o país, através do treinamento das lideranças dos supermercados para que se tornem multiplicadores de ações responsáveis.

No Dia do Consumidor, reforçamos nosso compromisso com o desafio de aliar os interesses da população (conforto, praticidade, economia, segurança e qualidade de vida) às ações efetivas de preservação ambiental, promovendo a sustentabilidade.

A melhor forma de se usufruir dos benefícios a que todos temos direito é utilizar este ou qualquer outro produto de modo responsável, o que significa aplicar o conceito reconhecido internacionalmente, dos 3Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

"Há uma série de propostas e projetos de lei no Brasil que citam o banimento das sacolas plásticas, mas se baníssemos tudo o que é moderno voltaríamos aos primórdios, com baixa qualidade e baixa expectativa de vida", reforçou Bahiense e completou: "A solução está na responsabilidade compartilhada entre a população, poder público e indústria no que tange ao consumo responsável e ao descarte adequado".

Em Minas Gerais, a redução do uso de sacolas plásticas tem ganhado força após a proibição do uso de sacolas plásticas no comércio varejista de Belo Horizonte (Lei Municipal nº 9.529), que entrou em vigor a partir de 1º de março. Apesar de polêmica, grandes redes supermercadistas com atuação na Capital, que têm menos de 40 dias para se adequar, já se mobilizaram para atender a determinação.

A Lei Municipal nº 9.529, de autoria do vereador petista Arnaldo Godoy, foi aprovada por unanimidade em 2008 e, até então, funcionava em caráter facultativo. Neste período, empresários do segmento de supermercados promoveram ações internas e de estímulo ao debate de atitudes sustentáveis. (Diário do Comércio)


5-4-2011

 

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