Tese apresenta solução para despoluir as águas

Uma tese de mestrado defendida em dezembro de 2010, no Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste), demonstrou experimentalmente que imitar os processos ecológicos naturais pode ser a melhor solução para resolver grandes problemas do planeta. O estudo contou com o apoio da Cenibra.

Tomas Carvalho, que é geógrafo, especialista no Departamento de Meio Ambiente da Cenibra, professor na área de gestão ambiental, com experiência em tratamentos de resíduos e é especialista em educação ambiental, é o autor da tese.

Ele explica que "se não fosse a famigerada exploração do homem no planeta, a natureza teria soluções para todos os seus problemas. Partindo deste princípio, entender os processos que a natureza tem para se manter em equilíbrio pode ser o caminho para solucionar vários de nossos problemas".

O pesquisador partiu do pressuposto que as áreas alagadas são verdadeiros filtros naturais, onde a água que sai é sempre mais limpa que a que chega. "Nestas áreas alagadas, há vários seres vivos que contribuem para esta filtragem, sobretudo plantas aquáticas, também conhecidas como macrófitas", afirma.

Estas áreas alagadas receberam chorume e foram monitoradas por nove meses, tanto do líquido que entrava na área alagada como daquele que sai, objetivando assim, medir a eficiência do tratamento.

Os resultados demonstraram que o sistema é eficiente como despoluidor de águas, pois removeu matéria orgânica em taxas de até 28,4% de DQO (demanda química de oxigênio) e 45,7% de DBO5 (demanda bioquímica de oxigênio). Os sólidos suspensos totais foram removidos em até 82,6%, o nitrogênio total foi removido em até 45,2%, o fósforo total foi removido em até 61,5% e a turbidez foi reduzida em 73,9%.

O pesquisador destaca que a eficiência deste sistema pode melhorar muito, dependendo do dimensionamento das áreas alagadas. É importante considerar que a maioria dos sistemas de tratamento de efluentes líquidos implantados no Brasil remove apenas matéria orgânica e não nitrogênio, nem fósforo, que são os maiores poluidores das águas dos rios.

Ele ainda destacar que, diferentemente dos sistemas de tratamento convencionais, este não requer uso de energia elétrica, pois não utiliza bombas nem aeradores e, ao contrário, pode ser produtor de energia, por meio da queima de biomassa das plantas.

 

31-3-2011

 

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