Feam lança avaliação para impactos climáticos

No intuito de prever os riscos gerados pela vulnerabilidade às mudanças climáticas e fornecer subsídios para o planejamento de ações, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) lançou, no dia 21 de outubro, o Índice Mineiro de Vulnerabilidade Climática (IMVC).

O instrumento inédito no país foi lançado juntamente com o edital do Banco do Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), que disponibilizará uma linha de crédito no valor de R$ 50 milhões para financiar projetos de infraestrutura municipal voltados para questões climáticas e universalização de serviços básicos.

O IMVC, desenvolvido em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) por meio de termo de cooperação técnica, concluiu que 78% das cidades mineiras têm alta sensibilidade às mudanças climáticas e 15% dos munícipios estão em áreas de vulnerabilidade extrema. O índice detectou, ainda, que mais da metade das cidades mineiras, que juntas possuem uma população de mais de cinco milhões de pessoas, têm baixa capacidade de se adaptar às mudanças do clima e seus efeitos.

O IMVC é uma ferramenta que permite avaliar o nível no qual os municípios e Territórios de Desenvolvimento de Minas Gerais são suscetíveis ou incapazes de lidar com os efeitos negativos das mudanças climáticas. O Índice foi construído a partir da adaptação da metodologia indicada pelo Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas).

De acordo com o gerente de Energia e Mudanças Climáticas da Feam, Felipe Nunes, o índice mede a vulnerabilidade do território mineiro aos impactos provocados pelas mudanças climáticas. “Diversos fatores estão ligados a essa vulnerabilidade como, por exemplo, chuvas intensas, secas extremas e estiagem. A metodologia avaliou, por meio de 28 indicadores, a vulnerabilidade de cada município, sendo possível identificar, também, as regiões e territórios mais vulneráveis”, disse.

Ainda segundo o gerente, pela metodologia foi possível constatar o que o mundo inteiro já constatou, de que as regiões mais pobres e menos favorecidas são as mais vulneráveis às mudanças climáticas. “Os impactos das mudanças climáticas são mais sofríveis pelas regiões mais pobres e, no estado de Minas Gerais, nós temos a região do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Mucuri, como as mais suscetíveis. Isso mostra claramente a necessidade de priorizar investimentos e de desenvolver políticas públicas para redução da vulnerabilidade nessas regiões”, avalia.

A ferramenta permitiu constatar que, 78% das cidades mineiras têm alta sensibilidade às mudanças climáticas e 15% dos munícipios estão em áreas de vulnerabilidade extrema. Cerca de mais da metade das cidades mineiras têm uma capacidade relativamente baixa de se adaptar às mudanças do clima e seus efeitos. Juntas, estas cidades têm uma população de mais de cinco milhões de pessoa.

Felipe Nunes explicou, durante o lançamento do índice, que o Brasil e o Mundo estão contabilizando perdas econômicas advindas de eventos críticos como seca, enchentes e chuvas torrenciais. “A vulnerabilidade às mudanças climáticas é muito significativa e os territórios e populações no Brasil e no mundo estão bastante vulneráveis a isso, por isso, o estudo desenvolvido pela Feam é muito importante porque, agora, temos informações concretas para que o governo priorize os investimentos. A sensibilidade dos municípios está ligada a fatores estruturais como a falta de saneamento, alto índice de doenças de veiculação hídrica, a baixa proteção ambiental e de cobertura vegetal nestes locais, e isso nos mostra a necessidade de políticas estruturantes, com uma visão de longo e médio prazo, mas também com ações concretas de curto prazo”, frisou.O Presidente da Feam disse que a Fundação vem desenvolvendo, nos últimos cinco anos, uma política constante e efetiva, a fim de oferecer à sociedade mineira e aos tomadores de decisão, tanto municipal como estadual, bases técnicas relativas às mudanças climática. “Destacamos a elaboração do Plano Estadual de Energia e Mudanças Climáticas, a Plataforma clima Gerais e, agora, o lançamento do IMVC. Essas ferramentas compõem um rol de ações técnicas que irão permitir ao estado adotar políticas que tenham a variável climática como referência”, frisou.O Índice está disponível na plataforma online Clima Gerais (http://clima-gerais.meioambiente.mg.gov.br/vulnerabilidade-territorial) e será um dos critérios usados pelo BDMG para avaliar as solicitações de financiamento dos municípios.

As propostas de financiamento junto ao Banco podem ser feitas por meio de formulário específico, disponível no site www.bdmg.mg.gov.br, até 15 de dezembro de 2015.

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