Seminário Mineiro de Reuso de Água e Efluentes

Em comemoração pelo Dia Mundial do Meio Ambiente a ABES-MG promoveu, nos dias 9 e 10 de junho, em parceria com o CREA-MG e apoio da Copasa, o ‘Seminário Mineiro de Reuso de Água e Efluentes’. Mais de cem técnicos puderam conhecer o panorama atual do reuso em Minas, no Brasil e em outros países.

A crise hídrica foi destaque, assim como a necessidade de incentivar o uso consciente, melhorar os sistemas de gestão e incentivar o reuso. O deputado Iran Barbosa, que preside a Comissão Extraordinária das Águas na Assembleia Legislativa, destacou que a primeira questão a ser atacada dentro da legislação mineira, a nível de uso, reuso e contenção de gastos é o incentivo ao uso racional e a redução do consumo de água nas regiões de grande concentração urbana. “Quanto ao reuso, o Estado pretende determinar a implantação obrigatória de reuso em novos prédios destinados a residências multifamiliares e unifamiliar de alto consumo. O nível de regulamentação será feito por decreto, tomando o cuidado de deixar o conceito mais amplo e não definir tipos de tecnologia a serem adotadas”.

Para Vitor Queiroz da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Agua e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae) o contexto de crise é uma oportunidade e a discussão sobre o reuso contribui muito para a construção da nova realidade. “A Arsae está bastante atenta ao tema reuso e pode contribuir, tanto do ponto de vista da regulação técnica, aperfeiçoando as normas, quanto do ponto econômico, buscando formas de incentivo e adoção de instrumentos que contribuam com a ampliação das técnicas de reuso”.

O engenheiro Américo Sampaio, Coordenador da Câmara Temática de Tratamento de Esgotos da ABES Nacional, explicou que água de reuso é aquela que já foi utilizada, proveniente de esgoto, seja industrial ou doméstico, que passa por um tratamento adicional e é disponibilizado para diversos fins. Estudioso do tema a mais de dez anos, ele acredita que o país ainda tem muito para avançar quanto ao reuso. A princípio utilizando essa água para fins menos nobres e, futuramente adotando o processo para o uso potável direto, como já acontece em países como Cingapura. “Mas esse é um trabalho de longo prazo, principalmente em relação à percepção das pessoas quanto à segurança dessa água. Embora ainda seja caro, já temos tecnologia para isso e vamos chegar a essa situação. São Paulo já queria fazer isso agora”.

Sampaio também ressaltou a necessidade de avaliar a segurança hídrica dos sistemas de abastecimento. Segundo ele, a resiliência das grandes cidades e seus sistemas são muito baixas, principalmente para o saneamento. “A crise hídrica deixou mais claro isso e nos obriga a pensar nos programas de conservação de água, dentre eles, o reuso. Mas só isso não basta. É preciso reaver principalmente os programas de conservação da água e intensifica-los. Reduzir as perdas de forma efetiva com programas consistentes, investir na modernização das redes de distribuição e na gestão de demandas. Até porque, é muito mais barato investir na redução do consumo de água, na redução de demanda. Isso representa um quarto do valor de um novo sistema. Com essas medidas podemos economizar a mesma quantidade de água que seria necessário trazer água de novos sistemas, cada vez mais distantes, aumentando o custo de produção. Para a população de baixa renda, pode ser oferecido a troca de bacias sanitárias, o que reduziria o consumo em 200 litros/dia por bacia. Como práticas de conservação é preciso reduzir o consumo per capita e investir mais em coleta e tratamento de esgotos afinal, deixamos de captar água porque os rios estão poluídos”.

O Diretor de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos da Copasa, Bruno do Carmo Silva, afirmou que a Copasa vem trabalhando, exaustivamente, para expansão dos seus negócios, tanto no abastecimento de água quanto no esgotamento sanitário. A Companhia também apresentou as soluções sustentáveis que estão sendo utilizadas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Ibirité. Uma delas é a comercialização do efluente líquido com a Petrobras, que irá utilizar o esgoto tratado nos seus processos internos. “Esta é uma iniciativa inédita da Copasa que constitui uma fonte de receita que irá otimizar o empreendimento”, informou Eugênio Alvares Silva, superintendente de Serviços e Tratamento de Efluentes da Copasa.

Especialistas também apresentaram várias tecnologias disponíveis, e práticas de sucesso na agricultura, como os métodos de utilização de água de reuso em culturas, e algumas boas práticas adotadas na indústria. Empresas como Fiat, Odebrecht Ambiental e Vallourec, mostram que investir em reuso é uma estratégia de gestão com resultados positivos.

Entre os desafios destacados por todos, estão a insegurança jurídica, que conta pequeno arcabouço legal, e a dificuldade de regulação devido a diversidade de usos. Ciente da necessidade de elaboração de diretrizes que viabilizem a ampliação do reuso, a presidente da ABES-MG, Célia Rennó, encerrou o seminário assumindo o compromisso de desenvolver trabalhos com o envolvimento da ABES, CREA, a Assembleia Legislativa, representada pelo deputado Iran Barbosa, da Comissão Extraordinária das Águas, o Igam e a SEMAD, para construir um arcabouço legal que incentive e diversifique o reuso de água no Estado.

15-06-2015

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