Situação dos mananciais ameaça abastecimento

No dia 22 de janeiro, a presidente da Copasa, Sinara Meireles, anunciou que a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e outros municípios do Estado enfrentam um risco real de desabastecimento de água. Segundo o levantamento, realizado pela nova diretoria da empresa, a situação é crítica em vários sistemas de abastecimento.

O Sistema Paraopeba, que abastece a RMBH, composto pelos reservatórios Serra Azul, Rio Manso e Vargem das Flores, está operando com 30,25% de sua capacidade. Dos três, o que apresenta a pior condição é o Sistema Serra Azul, que está com apenas 5,73% de seu volume. Já o sistema Vargem das Flores apresenta capacidade atual de 28,31% e o sistema Rio Manso, 45,06%.

De acordo com o relatório, a média de produção de água tratada no sistema Paraopeba entre dezembro de 2013 e novembro de 2014 foi de 17.821.857 m³/mês. O volume acumulado nos três reservatórios em 1º de janeiro de 2015 totalizou 92.324.818 m³. Os números mostram que, considerando-se as descargas para vazão residual e a captação para produção que representam um volume extraído mensal da ordem de 25 milhões de m³, a previsão é de que este volume seja suficiente para pouco mais de três meses para abastecimento de água para a população atendida pelo sistema. Por esta razão serão tomadas medidas emergenciais de restrição da oferta para que possamos atravessar o atual período.

Perdas

Outra situação que necessita de uma atuação urgente é o combate às perdas que, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, são de 40%. Em 2014, a cada 10 litros de água potável entregues à população, 4 não foram consumidos ou usados de maneira regular – o que inclui desde vazamentos no percurso entre a distribuição e o consumidor até ligações clandestinas (gatos).

Medidas

Diante das conclusões do relatório, Sinara Meireles anunciou as seguintes medidas:

1- Disponibilizar no site da COPASA informações diárias sobre o nível dos reservatórios de abastecimento na RMBH.

2- Destacar 40 equipes de campo na RMBH com equipamentos para atuação nos vazamentos, uma das principais causas das perdas no sistema, reduzindo o tempo de ação para interrupção do vazamento que hoje, na média, é de 9 horas.

3- Implantar nova rotina para programação dos atendimentos de campo para realização de manutenções corretivas e preventivas.

4- Revisar os procedimentos de operação do sistema integrado visando minimizar os transtornos causados pela falta d´água em localidades da RMBH. Trata-se de rodízio no abastecimento a ser realizado com programação pré-definida.

5- Realizar Campanha Educativa com o principal objetivo de reduzir o consumo de água em pelo menos 30% na RMBH.

6- Intensificar a contratação de caminhões pipa e a perfuração de poços artesianos, nas regiões mais críticas também no restante do Estado para atendimentos emergenciais.

7- Envio à autoridade gestora de recursos hídricos do estado de solicitação de declaração de situação crítica de escassez de recursos hídricos

8- Atuar na adoção de outros mecanismos previstos legalmente, associados ao racionamento de água, inclusive mecanismos tarifários de contingência aprovados pela ARSAE, se for o caso.

9- Executar a captação de 5 m³/s no Rio Paraopeba para a Estação de Tratamento de Água do Rio Manso.

Copasa

A Copasa é a empresa de saneamento básico do Estado de Minas Gerais. Trata-se de uma empresa pública de capital aberto que atua prestando serviços abastecimento de água e esgotamento sanitário nos municípios onde detém a concessão. Atualmente ela atende com serviços de abastecimento de água a 635 municípios, abrangendo uma população de 14,7 milhões de pessoas. A empresa emprega cerca de 12.500 pessoas. A Copasa tem uma subsidiária que opera sistemas de pequeno porte na região dos vales do Mucuri, Jequitinhonha e São Mateus, denominada Copanor e que também presta serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

02-02-2015