BH sedia Congresso de Águas subterrâneas

A Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS),realiza em Belo Horizonte o XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, o XIX Encontro Nacional de Perfuradores de Poços e a VIII Feira Nacional da Água - FENAGUA. Os eventos ocorrem simultaneamente, entre os dias 14 e 17 de outubro de 2014, nos salões do MINASCENTRO.

Na concepção destes eventos, a Comissão Organizadora guiou-se com a premissa de imprimi-los com um tom caracteristicamente mineiro, o qual pudesse incorporar as questões típicas das águas subterrâneas relacionadas aos aspectos físicos, econômicos e socioculturais do estado de Minas Gerais, mas sem perder o foco nacional, incluindo temas da atualidade, como a exploração do gás de xisto, garantindo assim um amplo espaço voltado para todas as respectivas questões no país.

A partir deste enfoque, chegou-se então à definição do tema geral para o XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, qual seja: “Água nas Minas e nas Gerais: Uma Riqueza Nacional”.

Uma ênfase especial está sendo dada à organização dos três eventos simultâneos, de modo a viabilizar múltiplas maneiras de interação entre os participantes do Congresso, representados por engenheiros, geólogos, hidrogeólogos, cientistas, professores, consultores, autoridades ambientais, gestores públicos, estudantes e demais profissionais envolvidos com as questões de águas subterrâneas, e o público representado pelos empresários do setor de perfuração de poços e expositores da Feira e do Encontro.

Para isso, além das conferências, mesas redondas e apresentação de trabalhos técnicos e científicos, programados para o Congresso, também serão desenvolvidas atividades especificamente voltadas para os perfuradores de poços e para os expositores, com o objetivo de aumentar a visibilidade destes grupos para todos os demais participantes, incrementando as oportunidades de interação profissional, de contatos técnicos, de transferência de informações e de realização de negócios.

Belo Horizonte foi escolhida, para sediar o evento por ser a capital de um estado que, sob vários aspectos, representa uma síntese da geografia física e humana do Brasil.

A questão dos recursos hídricos é um bom exemplo desta característica. Aqui nos “gerais”, esses gerais de terras altas e sem tamanho, são iniciadas as grandes bacias hidrográficas dos rios São Francisco, Grande, Paranaíba, Doce, Jequitinhonha, Paraíba do Sul e Pardo, dentre outros, emprestando ao estado a denominação de “caixa d´água do Brasil”.

Contribui decisivamente para isto a existência de expressivos mananciais hídricos subterrâneos, representados pelos aqüíferos cársticos da bacia sedimentar do São Francisco, pelos aquíferos das formações ferríferas, na região central do estado, e pelos aquíferos sedimentares no Triângulo Mineiro, dentre eles o tão discutido Aquífero Guarani.

A bacia do Bambuí, com seu relevo cárstico, onde a história dos primeiros homens sul americanos está marcada e registrada pelo grande Peter Lund, e onde abundam cavernas, grutas e águas subterrâneas, e a existência de grandes formações ferríferas onde minerações e águas subterrâneas coexistem de forma sustentável, assim como a presença das estâncias de águas minerais, caracterizam bem o tema do evento “Águas nas Minas e nas Gerais – Uma Riqueza Nacional”, que a princípio tem uma conotação bem regional, mas que na verdade é uma síntese do todo o Brasil.

No entanto, apesar da abundância de água em grande parte de seu território, o estado também se apresenta com áreas de carência hídrica, principalmente nas regiões norte e nordeste, reforçando a imagem de que Minas Gerais representa uma síntese dos aspectos nacionais, em todo o seu espectro de variabilidade.

A água é um recurso finito de indiscutível valor econômico e sua ocorrência ora é meteórica, ora está nos rios e lagos, ora está no subsolo como água subterrânea. O conhecimento científico de sua ocorrência, circulação e armazenamento em aquíferos subterrâneos é fundamental em qualquer contexto geográfico. Sua exploração por poços tubulares, seu uso racional, seu uso concomitante com atividades econômicas e sua preservação devem estar sempre na mente dos hidrogeólogos.

Há cerca de 20 anos, em 1992, Minas Gerais teve a honra de sediar o VII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas, enfocando o tema geral “Águas Subterrâneas – Desenvolvimento e Proteção Ambiental”, constituindo-se em um marco histórico do setor, quando foram explicitamente incluídas as questões ambientais no espectro de interesse associado ao uso racional das águas subterrâneas.

Naquela época, também estavam em curso no Brasil os primeiros trabalhos de rebaixamentos de níveis de água, nas grandes minerações, e o tema foi muito bem abordado no evento, com a presença de autoridades mundiais no assunto. Outros temas de grande relevância na hidrogeologia, como os aquíferos cársticos, também foram abordados.

Muitos anos se passaram, muitas águas rolaram, e, mais uma vez, com grande honra, Minas Gerais se apresenta para sediar, em 2014,o mais importante evento nacional da ABAS.

Nessa ultimas décadas observou-se um crescimento acelerado do mundo, bem como do Brasil, com um aumento vertiginoso da demanda para o consumo de água, e uma maior participação das águas subterrâneas no atendimento a esta demanda, com o consequente aumento dos conflitos pelo uso da água em geral.

As questões ambientais também se multiplicaram, com o acréscimo de novas fontes de contaminação de solos e de águas subterrâneas e o desenvolvimento de novos cenários de aquíferos contaminados.

Por outro lado, o conhecimento hidrogeológico também se aprimorou neste período, com a adição de novos temas, e com o desenvolvimento de melhores técnicas de análise e de procedimentos para a solução de problemas.

Em virtude destas considerações, e com o objetivo de contemplar o tema geral de “Água nas Minas e nas Gerais: Uma Riqueza Nacional”, o XVIII Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas será organizado com nove blocos temáticos, quais sejam:

1) Mineração e Gás - questões de inter-relação das águas subterrâneas com as atividades da mineração e exploração do gás de xisto;

2) Carste - particularidades, potencialidades e vulnerabilidades dos sistemas aquíferos cársticos;

3) Gestão -dos recursos hídricos subterrâneos, considerando o uso múltiplo das águas;

4) Águas Minerais - águas minerais e águas subterrâneas: definições e caracterização de fontes e balneários; aspectos econômicos e técnicos;

5) Contaminação e Remediação - dos cenários de contaminação, e dos respectivos procedimentos de remediação, de solos e águas subterrâneas;

6) Explotação e Monitoramento - Procedimentos de explotação e de monitoramento das águas subterrâneas;

7) Múltiplos Usos - caracterização da demanda, e das condições de uso, dos setores usuários de água subterrânea;

8) Aspectos Legais -princípios de direito, e os aspectos legais, relacionados ao uso sustentável dos recursos hídricos subterrâneos;

9) Hidrogeologia - estudos específicos.

Mais informações no site da ABAS.

 

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