"Sacolas oxibiodegradáveis são mais perigosas"

Um estudo realizado pelo Instituto Plastivida, entidade que representa institucionalmente a cadeia produtiva do setor, aponta que as novas sacolas plásticas são ainda mais perigosas para a natureza. De acordo com o estudo, na presença de luz a embalagem oxibiodegradável sofre reações na cadeia polimérica e se transforma em pequenos fragmentos, de 1cm a 2cm quadrados, que são lançados no ambiente e causam problemas ainda maiores que a sacola tradicional.


A indústria do plástico, para não abolir as sacolas, decidiu criar outro modelo, mais resistente e com processo de decomposição mais rápido. A promessa é que as sacolas oxibiodegradáveis se decomponham completamente em apenas seis meses.


O novo produto chegou a ser adotado por várias redes de supermercado. No entanto, praticamente todos os estabelecimentos que adotaram as oxibiodegradável interromperam sua utilização ao descobrirem o prejuízo ambiental que elas causavam. "Deixa de ser sacola fisicamente, mas está bem presente no meio ambiente", afirma a assessora técnica do Instituto Plastivida Silvia Rolim.
A diferença das sacolas oxibiodegradáveis para as tradicionais, é que elas recebem aditivo químico para acelerar o processo de pulverização, sendo lançadas no meio ambiente aleatoriamente, sem qualquer preocupação com sua destinação. "O importante é eliminar o consumo excessivo, consumindo só o estritamente necessário e reaproveitando o máximo possível, mas as novas sacolas vão contra essa lógica", avalia Silvia.


O Brasil, aos poucos, abre guerra contra os sacos plásticos. Porém, a discussão que permeia diversos setores da sociedade é: o que irá substituir as tradicionais sacolinhas em todo comércio?
As sacolas plásticas foram apresentadas como solução moderna e prática na década de 1980. Porém, estudos comprovaram a nocividade das embalagens, devido a sua lenta degradação, com decomposição que pode demorar até 500 anos, e os prejuízos ambientais que podem causar. Logo as sacolinhas passaram a ser vistas como inimigas do meio ambiente.


Nas grandes cidades, a embalagem contribui para inundações. Em regiões litorâneas, são responsáveis pela mortandade de tartarugas, peixes e outros animais aquáticos, que confundem o saco com alimentos e o ingerem.
A partir de então, alguns países da Europa, assim como os Estados Unidos, iniciaram campanhas para reduzir a circulação das sacolas plásticas. No Brasil, pouco a pouco, prefeituras criam medidas para coibir o uso da embalagem.


Proibição


Belo Horizonte está tentando banir as sacolas plásticas da cidade. Na capital mineira, lanchonetes, lojas de roupa e farmácias já estão se adaptando à obrigatoriedade. A maior resistência em se adaptar está nas redes de supermercados, que são os maiores distribuidores dos sacos plásticos do comércio, com 1 bilhão por mês em todo o país.


Rio de Janeiro e Porto Alegre também chegaram a criar leis, mas foram vetadas por inconstitucionalidade (os textos impunham o tipo de embalagem que seria entregue nos caixas). São Paulo também corre atrás de normas próprias e projeto de lei tramita na Câmara Municipal.


Embalagens de papel


As sacolas de papel eram distribuídas nos supermercados até o fim dos anos 1980, quando perderam lugar para as sacolinhas plásticas. Estudos feitos nos Estados Unidos mostram que dois sacos de papel substituem até 14 unidades de plástico. As redes de supermercado justificam a resistência em adotar as novas embalagens pelo custo elevado. Cada unidade pode custar até 10 vezes mais que uma de plástico.


"Há desperdício no uso da sacolinha. No comparativo um por um, o preço do papel é maior mesmo, mas é preciso comparar com o número de sacos que são tirados de circulação", explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão de Minas Gerais (Sinpapel-MG) e da empresa Imballaggio, Antônio Eduardo Baggio.


Baggio afirma acreditar que esta é a maneira mais viável de substituir o plástico sem necessidade de mudança radical do comportamento dos clientes. "A única diferença é no modo de carregar as compras. Em vez de se levar várias sacolas pela alça, as compras serão levadas nos braços. Igual se vê em filmes", reitera.


Diferentemente disso, as sacolas de ráfia e lona requerem que o consumidor saiba de antemão que vai às compras e carregue consigo, no carro ou na bolsa, uma unidade das chamadas ecobags, ou sacolas ecológicas. Caso contrário, toda vez que for ao supermercado será preciso pagar por uma sacola nova.


Pelo mundo
Europa


Desde o ano 2000, algumas cidades passaram a cobrar entre R$ 0,20 e R$ 0,70 por cada sacola plástica entregue nos caixas de supermercado, enquanto as unidades de papel são opção gratuita. Na Irlanda, o consumo chegou a cair 90% e o imposto é convertido para ações de proteção ambiental. Na Holanda, foram adotadas sacolas plásticas reutilizáveis, feitas com material mais resistente, e também vendidas em supermercados. Na Suíça, são usadas sacolas de ráfia e de lona.


Estados Unidos


O consumidor pode optar tanto pelo saco plástico quanto pelo de papel ao comprar em supermercados. Os norte-americanos preferem a segunda opção. Enquanto no fim dos anos 1990 a proporção de embalagens de papel para as de plástico era de um para quatro, atualmente, é de um para um.


Índia e África do Sul


Os estabelecimentos foram proibidos de distribuir os saquinhos plásticos, sob pena de multa e até prisão.

Abes-MG - Assessoria de Comunicação/Amda

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