Pesquisa mostra que volume de lixo em 2010 foi 6,8% maior que 2009

Segundo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, estudo realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em 2010 o Brasil produziu quase 61 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU). Os dados estão disponíveis no site.

"Este volume é 6,8% superior ao registrado em 2009 e seis vezes superior ao índice de crescimento populacional urbano apurado no mesmo período", explica Carlos Silva Filho, diretor executivo da ABRELPE. O número indica que cada brasileiro gera em média de 378 kg de lixo por ano.

As informações fazem parte de um estudo detalhado e atualizado do setor de limpeza urbana. Os dados foram coletados em todas as regiões geográficas do país e avaliou as etapas, de geração, coleta, tratamento e destinação final dos RSU de vários municípios.

Os dados mostram uma ligeira melhoria na destinação final dos RSU. "O volume coletado e destinado adequadamente para aterros sanitários passou para 57,6% frente a 56,8% em 2009. Apesar disso, quase 23 milhões de toneladas de RSU seguiram para lixões e aterros controlados no ano passado, em comparação a 21,7 milhões em 2009", conta.

No que se refere à reciclagem, o crescimento das iniciativas de coleta seletiva ainda é muito lento. O estudo mostrou que 57,6% dos municípios brasileiros afirmam ter iniciativas de coleta seletiva, em comparação a 56,6% no ano anterior. "É importante considerar que, em muitos casos, tais iniciativas resumem-se à disponibilização de pontos de entrega voluntária à população ou na simples formalização de convênios com cooperativas de catadores para a execução dos serviços", salienta o diretor executivo da ABRELPE. Ele acrescenta ainda que há diferenças regionais significativas. No Sudeste, o percentual de cidades com coleta seletiva é de quase 80%, enquanto que no Centro-Oeste não chega a 30%.

"O Panorama 2010 indica a necessidade de adotar imediatamente no Brasil um sistema integrado e sustentável de gestão de resíduos sólidos, para fazer frente ao crescimento desenfreado na geração e garantir destino adequado à totalidade dos resíduos", defende.

Ele disse ainda que o sucesso está vinculado a uma política mais clara de incentivos e estímulos, tanto do governo federal como dos governos estaduais, para que os municípios possam encontrar soluções conjuntas e regionalizadas, por meio dos consórcios públicos. "As soluções devem ser estruturadas com uma perspectiva de longo prazo e plena adequação ambiental, o que demanda investimentos, que podem ser supridos com a adoção do modelo de Parcerias Público-Privadas", completa.

23-8-2011

 

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