Os limites do crescimento é tema central de seminário

O governador Antonio Anastasia participou, nesta segunda-feira (6), no auditório JK, na Cidade Administrativa, da abertura da Semana do Meio Ambiente. Organizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Artesanato de Minas Gerais. O evento reuniu especialistas e interessados na busca de soluções para conciliar preservação ambiental e crescimento econômico. O seminário ‘Desenvolvimento Sustentável e os Limites do Crescimento: porque investir em meio ambiente' apresentou projetos que estão dando certo e buscam multiplicar ações.

Durante a solenidade, o governador assinou decreto que cria o Monumento Natural Estadual Várzea do Lageado e Serra do Raio, localizado no Distrito de Milho Verde, no Serro região Central do Estado. A criação do Monumento Natural, numa área de 2,2 milhões de hectares, permitirá a proteção de áreas de significativa importância ecológica e paisagística. Além de vegetação remanescente do cerrado rupestre e de mata atlântica, a área abriga grande quantidade de nascentes que abastecem as bacias dos rios Araçuaí, Doce e Jequitinhonha. O Instituto Estadual de Florestas (IEF) será responsável pela implantação, desapropriação das áreas necessárias, administração e criação do Conselho Consultivo do Monumento Natural.

Antonio Anastasia também entregou o Prêmio ICMS Melhor Performance, promovido pela Feam. Nove municípios foram selecionados em três categorias de empreendimento de saneamento: Aterro Sanitário, Usina de Triagem e Compostagem de Resíduos Sólidos Urbanos e Estação de Tratamento de Esgotos. Foram premiadas as prefeituras que melhor adotam critérios de gestão, com resultados positivos para o meio ambiente.

Seminário

Na parte da manhã, o jornalista e dirigente da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, na palestra ‘Terra: Negócios Sustentáveis', destacou que as empresas devem adotar, além do discurso, as práticas sustentáveis em sua produção. "A avaliação da efetividade dessas práticas deve ser feita por mecanismos independentes de verificação da certificação ambiental", afirmou. "A divulgação de práticas que não são reais tem um efeito boomerang, já que as empresas se expõem e podem ser questionadas", completou.

Da região Sul do Estado, foi apresentada a experiência de sucesso iniciada pela Oscip Amanhagua, que mobiliza produtores rurais do município de Baependi na recuperação de áreas de vegetação nativa e na proteção dos recursos naturais.

Também foi detalhado o Índice de Desempenho de Política Pública de Meio Ambiente adotado em Minas Gerais, apresentado por seu criador, o presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), José Cláudio Junqueira.

Outra experiência abordada no seminário foram os sistemas eletrônicos integrados para o aprimoramento da gestão ambiental desenvolvidos pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, em parceria com a Universidade Federal de Lavras.

Na parte da tarde foi a vez da exibição da Prefeitura de Belo Horizonte que demonstrou o processo de eliminação do uso de sacolas plásticas no comércio da cidade, proposta pioneira no país.

Na palestra ‘Desafios da Sustentabilidade', o economista-chefe e estrategista de investimentos do ABN AMRO Asset Management, Hugo Penteado, afirmou que os métodos de produção e consumo da humanidade precisam observar a natureza. "O sistema econômico atual é degenerativo, utilizando um sistema em que os produtos vão do berço ao túmulo, enquanto a natureza opera em ciclo, do berço ao berço, regenerando-se", observou. "Sem o reaproveitamento, e com o consumo excessivo levaremos os ecossistemas à destruição".

Durante todo o dia foram realizadas apresentações, análises e discussão de ações de diferentes segmentos na busca de soluções para conciliar preservação ambiental e crescimento econômico. Umas das iniciativas foi o projeto de aproveitamento energético do biogás na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Arrudas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. "O trabalho aumenta a eficiência do tratamento de esgoto e reduz a emissão de gases que provocam o efeito estufa, além de permitir a redução das despesas de energia com o aproveitamento do biogás", disse a engenheira da Copasa, Valéria de Seixas Ferreira Araújo.

O Grupo Fiat apresentou o trabalho buscando ganho energético com a melhoria do processo produtivo dos blocos de motores utilizados nos veículos produzidos pela empresa. "O programa foi implantado em 1998 e já apresentou uma redução no consumo de energia elétrica de 25%", afirmou o superintendente da Teksid do Brasil, Rogério Silva Junior. Segundo ele, o consumo de água em função da produção também apresentou resultados expressivos. "Em 1996, foram necessários 140 mil m³ de água para uma produção de 120 mil toneladas, enquanto em 2010, foram utilizadas 46 mil m³ de água para uma produção de 270 mil toneladas", destacou.

Francesco Tagliaferro apresentou o painel ‘As florestas alpinas diante as mudanças climáticas, vantagens territoriais e perspectivas para uma economia verde', um projeto desenvolvido pelo governo da Itália. Ele explicou que o trabalho envolve todos os países alpinos que pretendem identificar todos os riscos às florestas. "A proposta é, ao final do levantamento inicial, tenhamos proposta de ações para o uso do solo e estratégias de silvicultura, por exemplo,", destacou.

Ao final das apresentações houve debate com perguntas dos participantes, que tiveram a mediação do jornalista Hiram Firmino. Em seguida, aconteceu o lançamento do livro ‘Expedição Mucuri', de Alice Lorentz Godinho.


7-6-2011

 

Notícias