Ir para o conteúdo

Fauna impressiona e resiste à poluição da lagoa da Pampulha

Peixes como carpas e papa-terra, tartaruga, jacaré e aves se adaptam e reproduzem em ambiente sujo

Esgoto, metais pesados, pouco oxigênio, coliformes fecais, lixo. A soma desses fatores não é suficiente para acabar com a vida na lagoa da Pampulha, que resiste impressionando moradores, pescadores e turistas que passeiam na orla do principal cartão-postal de Belo Horizonte.

Muita gente contraria as orientações das placas instaladas pela prefeitura, que alertam para o perigo do banho e da pesca, e aproveitam o calor na casa dos 30 graus e céu sem nuvens para pescar nas águas da lagoa. Surpreendentemente, com sucesso. No último domingo (22), além de peixes grandes, uma tartaruga foi fisgada.

Segundo o gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Weber Coutinho, atualmente a Pampulha é classificada como nível 4, o pior dentro de uma série de parâmetros estabelecidos em uma portaria do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), de 2007.

A intenção da prefeitura é que até a Copa de 2014, as águas sejam reclassificadas para nível 3. Com isso, a pesca já seria permitida, mas banho e prática de esportes aquáticos seguiriam proibidos. Para isso, no entanto, serão necessárias obras de desassoreamento e canalização do esgoto que hoje é despejado diretamente na água.

O gerente de Fauna do Ibama, Daniel Vilela, diz que a fauna da Pampulha está adaptada à poluição. No caso de tartarugas e dos jacarés que habitam o local, o couro resistente e um sistema digestivo forte afastam as doenças. Pássaros como os biguás e garças também são resistentes à poluição e se alimentam com tranquilidade dos moluscos e peixes.

Ainda de acordo com o biólogo, no ano passado, transeuntes encontraram alguns filhotes de jacaré-do-papo-amarelo na orla da Lagoa, assim como um animal atropelado. O fato confirmou que há uma população de jacarés na lagoa, e não apenas um animal, como os técnicos pensavam. Os animais foram recolhidos ao Centro de Triagem do Ibama, e levados para áreas de soltura.

Além da poluição, atualmente a Pampulha tem cerca de 750 mil metros cúbicos de sedimentos. Para a retirada de todo esse material, seriam necessários cerca de 37.500 caminhões, segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap). O acúmulo de detritos é maior nas partes mais rasas, nas bordas da lagoa, em áreas cuja profundidade vai até dois metros.

O último desassoreamento foi realizado em 2004, removendo 1 milhão de metros cúbicos de material, com custo de R$ 110 milhões. Segundo a Sudecap, existem planos para uma nova intervenção, mas não há recursos nem prazos definidos.

Por enquanto, é realizada apenas a limpeza de lixo da lagoa, com a retirada de 20 toneladas por dia, na época de chuva, e dez toneladas, no tempo seco. Segundo informações da Copasa, em abril, devem começar os trabalhos para impedir que o esgoto de 19% da população de Contagem e de 4% de Belo Horizonte seja despejado na lagoa.Serão investidos nas obras R$ 102 milhões.

Fonte: Jornal Hoje em Dia