Audiência avalia perigo nuclear

Com o acidente nuclear nas usinas de Fukushima, no Japão, o debate sobre o uso da energia nuclear e a segurança das instalações estão na ordem do dia. Em Minas, as atenções se dirigem para Caldas, na Região Sul, que guarda, na Indústrias Nucleares do Brasil (INB), antiga Nuclebrás, cerca de 40 mil bombonas plásticas, tambores e outros recipientes com material radioativo. Hoje, às 11h, na Câmara dos Vereadores da cidade, haverá audiência pública para discutir a questão com a comunidade e tentar soluções para o problema que preocupa moradores, autoridades e ambientalistas. À frente, estão as comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Antes do encontro, às 9h, os parlamentares visitarão a unidade da INB, instalada no fim da década de 1970 na zona rural do município.

"Queremos conhecer de perto o armazenamento do material radioativo, avaliar a situação e, se for necessário, propor medidas para resolvê-la. Como se trata também de uma questão técnica, teremos a participação da engenheira química Crédula Cássia Oliveira de Telo, do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), localizado no câmpus das Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em BH", disse, ontem, o deputado Dalmo Ribeiro (PSDB), autor do pedido da audiência pública, em seguida à matéria publicada pelo Estado de Minas em fevereiro.

As condições de armazenamento do lixo radioativo levaram o promotor da comarca local, José Eduardo de Souza Lima, a ajuizar ação na Justiça. Pela sentença, a empresa está obrigada a fazer, com um atraso de 15 anos, o descomissionamento da área, o que se traduz pelo tratamento de todo o passivo ambiental (vegetação, águas etc. ) em 1,4 mil hectares de seus limites. O foco maior está na antiga cava da mina, transformada em lago de águas ácidas, e nos galpões nos quais estão os recipientes.

Para a reunião, confirmaram presença o diretor de Recursos Minerais da INB, Otto Bittencourt, o promotor de Justiça José Eduardo de Souza Lima, o diretor técnico da Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Sul de Minas (Supram Sul de Minas), Luciano Junqueira de Melo, representando o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Adriano Magalhães Chaves, além de representantes do poder público municipal de Caldas e de associações ligadas ao meio ambiente.