Sumidouro abre as portas aos esportes radicais

A prática de esportes radicais em unidades de conservação ambiental, comum em alguns estados brasileiros e no exterior, terá pela primeira vez local autorizado em Minas Gerais. O escolhido é o Parque Estadual do Sumidouro (Pesu), que fica a 50 quilômetros de Belo Horizonte, na região de Lagoa Santa. Os atletas beneficiados são os iniciados em escalada e montanhismo. Sempre aos domingos, com estreia no dia 22 de maio, até 40 esportistas serão liberados para explorar os cumes rochosos espalhados em 1.300 hectares do parque, que abriga 52 cavernas e 170 sítios arqueológicos históricos e pré-históricos. Para tanto, devem assinar um termo de compromisso assumindo os riscos da atividade.

O gerente do parque, Rogério Tavares, afirma que o pioneirismo da unidade só foi possível depois do estudo de quase dois anos. O trabalho foi realizado por um grupo de especialistas do Instituto Estadual de Florestas (IEF), da Associação Mineira de Escaladas (AME), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de organizações ligadas ao meio ambiente, entre eles o Grupo Bambuí, que trabalha com pesquisas espeleológicas. "Por se tratar de uma área protegida por lei, foi preciso fazer levantamento sobre os impactos que essa prática esportiva poderia provocar", explica.

Ele informa ainda que esse grupo de estudos definiu regras para evitar depredação ao meio ambiente. A limitação do número de pessoas é a principal delas. Os esportistas serão monitorados e divididos em grupos que variam de três a oito pessoas. O objetivo é garantir, além da segurança dos atletas, pichações e outras agressões à fauna e flora do parque.

Tavares também esclarece que a prática da escalada e do montanhismo acontecerá em caráter experimental. "Daqui a seis meses, vamos fazer uma avaliação da experiência para corrigir possíveis erros, mas desde já acreditamos que essa novidade vai incrementar o turismo na região", avisa.

O diretor de Áreas Protegidas do IEF, Ronaldo Magalhães, adianta que a prática desse esporte de aventura no Parque do Sumidouro pode ser o início de outras iniciativas semelhantes nos demais parques estaduais.

O IEF já recebeu solicitação do Clube de Voo Livre da Serra da Moeda, na Grande BH, pedindo autorização para que os praticantes desse esporte possam usar a área de quase 4 mil hectares do Parque Estadual do Rola Moça.

O Governo de Minas mantém oito parques abertos à visitação pública, além de outros 25 fechados, que aguardam recursos para investimentos em infraestrutura que permitam serem frequentados.

Montanhista deve ter técnica apurada


O presidente da Associação Mineira de Escaladas (AME), Luís Monteiro, alerta aos entusiastas da novidade a ser implementada no Parque Estadual do Sumidouro (Pesu) que o montanhismo é um esporte que requer técnica apurada para ser praticado. "O interessado deve procurar clubes e associações para aprender em segurança", ensina.


Para resguardar a integridade física do atleta, a cada domingo, partir do dia 22 de maio, por ordem de chegada, os interessados em escalar naquele parque serão submetidos a perguntas técnicas para avaliação de habilidades necessárias a essa atividade esportiva.


Monteiro também informa que cada esportista deverá colocar à prova dos monitores o material necessário para escalar os cumes rochosos da Unidade de Conservação localizada na região de Lagoa Santa.


Equipamento requer selo de qualidade


Ele explica que todos os equipamentos - entre eles cordas, capacetes, ganchos e uma espécie de "cadeirinha" -, precisam contar com um selo de qualidade emitido pela União Internacional das Associações de Alpinismo, com sede na Suíça. Um montanhista iniciante gasta, em média, R$ 2 mil para compra desses utensílios esportivos.


A AME tem 372 associados e foi a entidade que conseguiu, junto ao Instituto estadual de Florestas (IEF), retomar o local para a prática do montanhismo. Na década de 1990, a área que hoje delimita o parque era um terreno administrado pela Prefeitura de Lagoa Santa, que permitia o montanhismo no local de pouco mais de mil hectares. Por questões de segurança e risco de depredação do meio ambiente, a prática esportiva foi proibida.


"Agora, com todos os estudos de impacto ambiental realizados, voltamos para lá em melhores condições, que é um marco em âmbito nacional e internacional", avalia Monteiro.