Internautas atendem a pedido de ajuda de prefeito japonês

Minamisoma, Japão. Foi um apelo desesperado por ajuda, feito com uma pequena câmera de vídeo pelo prefeito da cidade, aparentemente abandonada, e postado na internet como uma garrafa jogada no mar digital.

Na gravação de 11 minutos, o prefeito Katsunobu Sakurai descreveu a situação calamitosa enfrentada por Minamisoma, cujos habitantes ainda estavam chocados com o terremoto devastador e o tsunami de 18 m, quando eles foram orientados a ficar dentro de suas casas por causa dos vazamentos de radiação da usina nuclear que fica a 25 km da cidade.

Aqueles que não fugiram agora enfrentam a fome, disse o prefeito, já que eles ficaram presos em suas casas ou em abrigos de refugiados por causa do alerta nuclear, o que também impediu que os carregamentos de comida chegassem.

"Ficamos isolados", disse Sakurai insistentemente para a câmera, com a testa franzida e a voz tensa e extremamente cansada. "Eu imploro, como prefeito da cidade de Minamisoma, que nos ajudem".

O vídeo, postado no YouTube um dia após ser gravado no fim da noite de 24 de março, se tornou uma sensação instantânea e já atraiu mais de 200 mil visitantes. Quase duas semanas depois, a prefeitura ainda está recebendo telefonemas, a maioria de pessoas de outros países, oferecendo ajuda. A cidade também recebeu centenas de caixas de alimentos e outros suprimentos das pessoas e caminhões de donativos de organizações sem fins lucrativos. "É impressionante a quantidade desses doadores que dizem que nos viram no YouTube", disse Noriyoshi Saito, que trabalha no setor econômico da prefeitura e é o responsável por entregar as doações.

Sakurai descreveu o apelo online como o momento decisivo da luta contra o desastre triplo, que por um tempo transformou esse município de 75 mil pessoas em uma cidade fantasma virtual.

Cerca de 50 mil residentes fugiram nas duas primeiras semanas após o terremoto, embora um pequeno número de pessoas tenha começado a voltar. Das quase 1.500 pessoas que se estimava terem sido mortas pelas ondas, que limpou bairros inteiros, somente 358 foram encontradas.

Sakurai acredita que a resposta em grande escala ao seu vídeo seja por causa da ajuda daqueles que ficaram na cidade atingida.

"De repente, o mundo estava estendendo suas mãos para nós", disse Sakurai, 55, um homem enérgico que ainda usa o mesmo uniforme bege que usava no vídeo, mas agora sorri e parece mais relaxado. "Nós descobrimos que não estamos sozinhos".

Rotina. Hoje, a cidade está lentamente voltando ao normal. Enquanto a ordem para permanecerem em suas casas continua, muitos dos habitantes restantes começaram a ignorá-la. Os postos de gasolina e as lojas de conveniência estão começando a reabrir. Os carros são abundantes nas vias principais, mas a maioria das ruas laterais e lojas continuam assustadoramente vazias.

"Eu espero que eu possa tranquilizar o coração das pessoas simplesmente abrindo a minha loja", disse Yasuko Sanno, proprietária da pequena mercearia que cobriu as vitrines de sua loja com papéis dizendo "Aguente firme, Minamisoma!".