‘Professores da rede municipal terão noções de meio ambiente’



Graduado e mestre em direito e pós-graduado em gestão ambiental, Mário Werneck fala sobre projetos na PBH, propõe restaurante no Parque Municipal e esterilização das capivaras da lagoa da Pampulha.

 

Como foram as primeiras semanas na pasta? O que precisa ser feito?

 

Tenho total confiança no trabalho do prefeito. Se não tivesse, eu não teria vindo. Tenho procurado trabalhar com os técnicos da secretaria. São pessoas competentes e que estão abrindo um leque de oportunidades para que possamos colocar em prática o que queremos. Para se ter uma ideia, eu me reuni com os técnicos, e estamos fazendo um trabalho junto à OAB, já fizemos um acordo em que vamos formar todos os professores da rede municipal com noções de meio ambiente, que seja em aspectos de prevenção como também em aspectos corretivos. Os professores receberão certificados do curso.

 

Há outros planos que envolvem a educação ambiental?

 

Estamos firmando um acordo de cooperação com a universidade Fumec, que vai dirigir uma pós-graduação em gestão ambiental. Vamos criar critérios envolvendo engenharia ambiental, administração pública ambiental, direito ambiental, para todos os servidores da secretaria. Para capacitar e fazer com que os trabalhadores já saibam definir a legalidade de projetos e processos.

 

Qual projeto de destaque o senhor pretende implantar?

 

Vamos reativar o Expresso Ambiental, um ônibus que, utilizando recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente, vai rodar a cidade para apresentar programas e noções de meio ambiente para as comunidades. Mostrando como os cidadãos podem utilizar e requerer a secretaria. Isso é uma alavanca que mostra que esta administração está preocupada com as propostas do prefeito, que são as comunidades carentes, para as crianças conseguirem entender como podem ajudar. Será chancelado pela Unesco. Em um mês teremos isso assinado.

 

O foco é na educação e na conscientização ambiental?

 

É um dos principais. Vamos implementar o programa “OAB Vai às Escolas”, que já existe na entidade, mas vai ser ampliado e integrado com nossas políticas. Serão quase 400 advogados voluntários instruindo professores do ensino municipal sobre questões ambientais e necessidades da sociedade. Isso aprimora a educação sobre meio ambiente.

 

Nos últimos anos a cidade tem enfrentado uma crise em relação às doenças e os carrapatos das capivaras da lagoa da Pampulha. Como resolver isso?

 

Sempre há o questionamento de por que simplesmente não retirar as capivaras do local. O problema não são as capivaras, mas os carrapatos. Se só retirarmos as capivaras, os carrapatos vão procurar um novo vetor, que pode ser cachorro, ou o humano. Então, decidimos por fazer um manejo ético das capivaras. Vamos recolher os animais e esterilizá-los. Com o tempo, com monitoramento, a população de capivaras vai se extinguindo e, com ela, os carrapatos. É um projeto de médio prazo, mas que não causa danos ambientais. Já temos R$ 500 mil para realizar isso. Só falta o aval do Ministério Público, o que também já está sendo discutido.

 

A última gestão tratou de forma errada a questão das capivaras?

 

Não gosto de comentar sobre quem não conheço, mas acho que houve procrastinação. Faltou coragem para decidir. Levar as capivaras pra esterilização é privilegiar a vida. Se membros de sociedades de proteção aos animais reclamarem, vou falar: então deitem aí na grama, não resolvam o problema.

 

Há projetos para os parques da cidade?

 

A Fundação de Parques e Jardins e a Zoobotânica não vão mais pertencer a nossa secretaria, mas vamos apresentar ao prefeito alguns projetos para esses espaços. Se você está com calor e com fome na Afonso Pena, o que te impede de ir ao Parque Municipal e lá ter um ótimo restaurante? Aliás, por que tem que-se chamar Parque Municipal? Por que não Parque Central? Tipo o Central Park de Nova York. Imagina só: “Onde você mora? Ah, eu moro em frente ao Central Park”. São coisas que valorizam a cidade. Eu quero que a prefeitura humanize estas áreas. São 76 parques. Por que eles não podem ser humanizados e explorados? A lagoa do Nado está abandonada. Por que não fazer daquele espaço um encontro de escolas, da sociedade, com pistas de caminhada? Hoje é complicado. No Parque Municipal você encontra, não me leve a mal, uns pipoqueiros horrorosos, coisa da pior qualidade. Mas pobre gosta de luxo e paga pelo luxo. Temos que chamar a população para esse espaço.

 

Há outros exemplos de espaços para esse tipo de projeto?

 

Por que não podemos colocar um teleférico no Parque das Mangabeiras? Tudo com audiovisual para que as crianças e os turistas possam conhecer a serra do Curral e a história de BH.

 

Existem estudos sobre a privatização destes espaços?

 

Não. Não posso mexer em uma área que não é de minha responsabilidade. A Fundação de Parques vai ter uma estrutura própria. É só uma ideia que levaremos ao prefeito. Precisamos fazer uma ocupação humana dos locais. No Parque Municipal há centenas de mendigos e gatos. A briga ali hoje é de mendigos contra gatos. Isso não pode acontecer. Vá ao Central Park para ver se acha um mendigo deitado. Por que precisamos ser sempre os cães vira-latas? Por que temos que nos sentir inferiorizados?

 

A ideia é privatizar os parques?

 

Não. Não queremos entregar à iniciativa privada. Queremos só valorizar o espaço. Colocar restaurante, estrutura. O parque precisa dar renda. Não pode ser um local só de custo. Transformar o parque em um programa de verdade para a população, terminar com essa ideia de que programa para sair é só shopping.

 

E o que você achou da separação das fundações e da secretaria?

 

Isso é tranquilo. Foi uma decisão do prefeito, e eu a respeitei. Se é o que ele acha melhor, confio.

 

Como está a relação com outras empresas públicas, como SLU, Urbel? Há questões que abrigam todas as partes, como o combate aos esgotos clandestinos.

 

Nenhum empreendedor que chegar aqui vai receber um “não”. Vamos conversar, ouvir, e tudo será analisado, dentro da legalidade e da transparência, jamais privilegiando ninguém. Empreendedor é gerador de riqueza e é necessário. O que se passa para a opinião pública é que são canalhas, que o Estado demora, e que as coisas não vão para a frente. Mas não há relação com as empresas ainda. Estamos só há 15 dias na prefeitura.

 

Quais serão os focos de combate?

 

A clandestinidade e os resíduos sólidos. São mais de 500 caminhões limpa-fossa na Região Metropolitana de BH. Sabe onde eles jogam o material colhido? Em BH, em áreas sem regulamentação e sem pagar. Vamos fazer um trabalho hercúleo para fiscalizar estes caminhões e obrigá-los a pagar ISS. Quem for encontrado terá o caminhão apreendido.

 

Sobre o esgoto clandestino, e a lagoa da Pampulha? Há um planejamento para realizar uma limpeza?

 

Vamos receber agora um relatório sobre a água. Projeto eu tenho, vamos melhorar, mas como? Com qual recurso? É um trabalho coletivo. Quem dera eu tivesse uma varinha e fizesse mágica. Vamos tirar toda a água, cimentar o fundo e voltar a água? Não sei, me parece impróprio e ecologicamente incorreto. Mas os secretários de Meio Ambiente de Betim, de Contagem e de BH são do PV. Por que não criarmos uma política conjunta para minimizar estes problemas? Como podemos receber o esgoto de Contagem? Temos que ter mecanismos de responsabilidade entre os municípios.

 

O problema é falta de verba?

 

Sim. Teríamos que buscar recursos. E até acho que dá pra fazer isso. A lagoa deveria ser um cartão de visitas da cidade, mas é só um dormitório de capivara.

 

O licenciamento ambiental é feito da maneira correta na cidade?

 

É, sim, mas precisamos policiar o adensamento que ocorre, com a criação de bolsas verdes e evitando áreas de risco e áreas comprometidas. Queremos aumentar o diálogo com a Defesa Civil. Sempre que houver um novo pedido de licenciamento, vamos pedir uma análise da Defesa Civil. Temos que proteger a população.

25-01-2017