Ibama realiza audiência pública com manifestantes em Novo Progresso, no Pará

O Ibama realizou audiência pública nesta quarta-feira em Novo Progresso, no sudoeste do Pará, onde manifestantes invadiram o escritório regional do instituto e prenderam com cabo de aço e cadeado o helicóptero que dava apoio à operação Disparada, numa tentativa de impedir a ação dos agentes federais.

Na audiência, que durou pouco mais de duas horas e reuniu cerca de 500 pessoas na sede de uma igreja no centro do município, o Ibama reiterou que a operação Disparada não será interrompida na região. As cerca de 890 cabeças de gado flagradas em área desmatada ilegalmente e embargada numa fazenda em Altamira, o estopim do protesto, também permanecem apreendidas.

Os anúncios foram feitos pelo coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Bruno Barbosa, e pelo superintendente-substituto do órgão no Pará, Alex Lacerda, que chegaram à cidade logo após os conflitos. "O caminho é o desmatamento zero, porque, enquanto houver desflorestamento ilegal, haverá vistoria de embargos e apreensão de gado", disse Bruno Barbosa.

Antes da audiência, Barbosa e Lacerda se reuniram por uma hora a portas fechadas com lideranças do produtores rurais, vereadores e a prefeita Madalena Hoffman, na Assembleia Legislativa do município. Os representantes locais reivindicavam o cancelamento da apreensão do rebanho e a saída dos agentes da fazenda ocupada desde quinta-feira (31/03), o que não foi aceito pelo Ibama.

O coordenador-geral de Fiscalização Ambiental explicou que o proprietário do rebanho apreendido terá todas as oportunidades de se defender durante o processo administrativo no Ibama antes que o gado seja, definitivamente, doado ao Programa Fome Zero.