Garis retomam coleta de lixo em BH após 24 horas sem serviço



Depois de 24 horas sem coleta de resíduos e com lixo acumulado nas ruas de Belo Horizonte, os garis que atuam em caminhões compactadores voltaram a trabalhar na noite dessa terça-feira (29). Nesta segunda-feira, a Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais (SRT-MG) havia interditado, de forma imediata, o transporte desses profissionais na parte externa dos caminhões. A prefeitura recorreu à Justiça, que, de maneira parcial, deferiu liminar pela retomada do serviço, mas estabeleceu prazo de 30 dias corridos para que o município implante uma alternativa de condução dos garis.

 

Na decisão, a juíza Anaximandra Oliveira levou em conta que a suspensão abrupta do serviço trazia “evidente prejuízo à coletividade”, porém reconheceu o risco a que o trabalhador está submetido. Se a prefeitura não eliminar o transporte dos garis coletores de lixo na traseira dos caminhões, haverá multa diária de R$ 5.000.

 

A magistrada determinou também que, durante esse período, a prefeitura pode conduzir os garis na parte externa dos caminhões “apenas durante o recolhimento do lixo, em baixíssima velocidade”, de no máximo 10 km/h.

 

Suspensão. Antes de a liminar ser concedida, em reunião com a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), a SRT-MG já havia recuado da decisão de suspender o transporte dos garis na traseira dos veículos.

 

A SRT não estipulou prazo para a realização das adequações, mas instaurou um procedimento especial de fiscalização, com a condição de que os empregadores assinem, ao fim do processo, um termo de compromisso para o fim dessa prática.

 

Na ocasião, o superintendente da SLU, Custódio Mattos, declarou que estima ser possível fazer o planejamento e, em 90 dias, colocar em prática as primeiras medidas para o fim do transporte dos garis no estribo dos caminhões. “Vamos fazer, com um prazo razoável, o que eles chamam de ‘fiscalização negociada’, em que discutiremos como as condições que estão exigindo vão ser implantadas, assim como os prazos. Todo mundo ganha: o trabalhador, que tem mais segurança, a fiscalização, que atingiu o objetivo, e nós, porque queremos retomar a normalidade do nosso trabalho”, afirmou.

 

Segurança. Segundo ele, a SLU não questiona a preocupação do Ministério do Trabalho com a segurança dos trabalhadores, mas sim a falta de aviso antes de ser notificada sobre a interdição. Além desse argumento, o município declarou que a coleta de resíduos em caminhão com a condução de garis na parte externa é praticada em Belo Horizonte há pelo menos 30 anos e que se trata do mesmo sistema utilizado em outras cidades brasileiras, devido à praticidade operacional e à agilidade. “Não tivemos tempo para nos adaptarmos e exigir das empresas as mudanças necessárias”.

 

O gari Vladimir Ferreira da Silva, 44, que trabalha na função há 20 anos, reconhece que a condução no estribo do caminhão pode provocar acidentes, mas é contrário às mudanças. “Não faz sentido não estar na traseira, não tem como fazer o trabalho desse jeito, entrando e saindo do caminhão (como sugerido pela SRT-MG). Fica complicado esse sobe e desce”, declarou.

 

Resposta. Procurada pela reportagem, a Superintendência de Limpeza Urbana da capital (SLU) não tinha se manifestado sobre a decisão da Justiça do Trabalho até o fechamento desta edição.

 

Irregularidade no serviço é frequente em Neves

 

Os moradores de Ribeirão das Neves, na região metropolitana, também enfrentam problemas de coleta de lixo, que está sendo realizada parcialmente na cidade. O serviço foi paralisado cinco vezes neste ano.

 

“Tem semana que a coleta fica dias sem ser feita, e o lixo vai se acumulando”, reclamou uma moradora do bairro Sevilha, de 31 anos, que pediu para não ser identificada.

 

Segundo o diretor financeiro do Sindicato dos Empregados de Asseio da cidade, Luís Araújo, os trabalhadores tiveram os salários e os benefícios atrasados várias vezes. “Caso o pagamento do 13º não seja efetuado, vamos fazer nova paralisação”, disse.

 

Em nota, a Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que a coleta de lixo ocorre de maneira parcial devido à dificuldade de acesso a algumas ruas por causa da chuva e ao corte de horas extras dos coletores, que faz com que eles não consigam cumprir a rota. Além desses motivos, o Executivo destacou que, por causa da crise financeira, tem pendências com a empresa de limpeza urbana, a Império, e que trabalha para “resolver a situação o mais rápido possível”. A reportagem não conseguiu contato com a Império.Sujeira

BH deixou de coletar 2.200 t de resíduos

 

A suspensão temporária da coleta de lixo em Belo Horizonte causou transtornos a moradores da capital. Segundo a SLU, cerca de 2.200 toneladas de resíduos deixaram de ser recolhidas nesta terça-feira (29).

 

A estudante Bianca França, 20, reclamou do mau cheiro no bairro Anchieta, na região Centro-Sul. “As ruas amanheceram com sacos de lixo amontoados. Tive que pegar um táxi até o centro, e estava tudo cheio de lixo também”, contou.

 

Para o gestor ambiental Rafael Castilho, o problema afeta diretamente a saúde humana. “Estamos em época de chuva, o acúmulo de lixo provoca entupimentos de bueiros, ocasionando alagamentos, o que impacta não só o trânsito, mas a vida das pessoas”, disse. “Tem também a questão de aparecimento de animais, como ratos. Nossos problemas ambientais e urbanos estão muito relacionados a problemas sociais”, completou.

 

Resposta. Procurada pela reportagem, a Superintendência de Limpeza Urbana da capital (SLU) não tinha se manifestado sobre a decisão da Justiça do Trabalho até o fechamento desta edição.

 

Irregularidade no serviço é frequente em Neves

 

Os moradores de Ribeirão das Neves, na região metropolitana, também enfrentam problemas de coleta de lixo, que está sendo realizada parcialmente na cidade. O serviço foi paralisado cinco vezes neste ano.

 

“Tem semana que a coleta fica dias sem ser feita, e o lixo vai se acumulando”, reclamou uma moradora do bairro Sevilha, de 31 anos, que pediu para não ser identificada.

 

Segundo o diretor financeiro do Sindicato dos Empregados de Asseio da cidade, Luís Araújo, os trabalhadores tiveram os salários e os benefícios atrasados várias vezes. “Caso o pagamento do 13º não seja efetuado, vamos fazer nova paralisação”, disse.

 

Em nota, a Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que a coleta de lixo ocorre de maneira parcial devido à dificuldade de acesso a algumas ruas por causa da chuva e ao corte de horas extras dos coletores, que faz com que eles não consigam cumprir a rota. Além desses motivos, o Executivo destacou que, por causa da crise financeira, tem pendências com a empresa de limpeza urbana, a Império, e que trabalha para “resolver a situação o mais rápido possível”. A reportagem não conseguiu contato com a Império.

 

Sujeira

BH deixou de coletar 2.200 t de resíduos

 

A suspensão temporária da coleta de lixo em Belo Horizonte causou transtornos a moradores da capital. Segundo a SLU, cerca de 2.200 toneladas de resíduos deixaram de ser recolhidas nesta terça-feira (29).

 

A estudante Bianca França, 20, reclamou do mau cheiro no bairro Anchieta, na região Centro-Sul. “As ruas amanheceram com sacos de lixo amontoados. Tive que pegar um táxi até o centro, e estava tudo cheio de lixo também”, contou.

 

Para o gestor ambiental Rafael Castilho, o problema afeta diretamente a saúde humana. “Estamos em época de chuva, o acúmulo de lixo provoca entupimentos de bueiros, ocasionando alagamentos, o que impacta não só o trânsito, mas a vida das pessoas”, disse. “Tem também a questão de aparecimento de animais, como ratos. Nossos problemas ambientais e urbanos estão muito relacionados a problemas sociais”, completou.

01-12-2016