Novo estudo avalia riscos que o aquecimento global pode causar nos oceanos



O estudo "Explicando o aquecimento dos oceanos: causas, escala, efeitos e consequências", da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), mostra que o aquecimento dos oceanos já está afetando pessoas em todo o mundo e impactos significativamente maiores devem vir no futuro. O projeto, que foi Financiado pela (re)seguradora global XL Catlin, teve participação de 80 cientistas de 12 países e descreve o fenômeno como "um dos maiores desafios escondidos da nossa geração".

 

O "Risco Oceano" descreve os potenciais impactos que estas mudanças podem ter sobre as empresas, a sociedade e os ecossistemas ao redor do globo. De acordo com esta revisão científica, mudanças fundamentais para a química e a física do oceano e para a riqueza de vida que ele sustenta já são evidentes, com a segurança alimentar e a saúde humana sob ameaça, juntamente com os perigos de eventos climáticos mais extremos.

 

"Está claro que a magnitude dos impactos descritos neste relatório destaca a necessidade de rever e reconsiderar os riscos associados com a evolução do estado do mar. É um poderoso grito de alerta sobre os riscos colocados pelo aquecimento dos oceanos", declarou Mike Maran, Chief Science Officer da XL Catlin.

 

"Há muito mais que a indústria de seguros precisa fazer para compreender o risco dos oceanos, o que está acontecendo com sua saúde, quais são os riscos que isso representa para os nossos clientes em todos os setores e como podemos ajudar a enfrentar esses desafios.", completa.

 

O relatório também identifica outras mudanças para a saúde do oceano, incluindo acidificação e de-oxigenação que irá impactar todos os níveis da vida marinha, do menor plâncton aos mamíferos. Esses impactos incluem:

 

- Comunidades costeiras em maior risco de inundação, de tempestades tropicais mais intensas e do aumento do nível do mar.

- Segurança alimentar comprometida pelo deslocamento e pela depauperação das populações de peixes. Safras de pesca marítima do Sudeste Asiático devem cair entre 10% e 30% em 2050 em relação a 1970-2000, à medida que a distribuição das espécies de peixes mudar, dentro do cenário das altas emissões de gases de efeito estufa que teremos se os padrões energéticos e produtivos permanecerem como estão atualmente.

- Redução da produtividade agrícola em regiões-chave que serão afetadas, incluindo América do Norte e o sub-continente indiano, pelo aumento das chuvas em latitudes médias e mais padrões de seca em zonas sub-tropicais.

- Saúde humana sob a ameaça da propagação do vírus, doenças e patógenos pelo oceano mais quente e passadas para os humanos diretamente ou através da cadeia alimentar. Estes incluem as bactérias que causam cólera e a doença neurológica ciguatera.

- Custo das mudanças nos oceanos em constante ascensão. Todos os impactos negativos terão um custo. Como exemplo, a perda para o turismo do recente e generalizado branqueamento dos corais é calculado em US$ 23 bilhões. O custo em 2100 da perda dos recifes de coral pode chegar a US$ 1 trilhão por ano.

 

Recomendações

 

Entre as recomendações destacadas no relatório está uma chamada para priorizar o fechamento das lacunas no conhecimento científico sobre os impactos do aquecimento do oceano, os quais são evidentes, prevalentes e devem alterar o nosso modo de vida.

Outra recomendação é o corte contínuo das emissões de gases de efeito estufa e um afastamento das tentativas para proteger a biodiversidade em prol de uma gestão mais ativa e até mesmo da restauração da biodiversidade e dos ecossistemas.

22-11-2016