Estado investe na inclusão socioprodutiva e recuperação da Bacia do Rio Pandeiros

A Fapemig abriu a terceira chamada para dar continuidade às ações de recuperação da Bacia Hidrográfica do Rio Pandeiros, no Norte de Minas, à margem esquerda do Rio São Francisco. Com o novo edital, a fundação vai apoiar projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação que contribuam para a preservação do meio ambiente de forma compatível com o desenvolvimento socioeconômico, a partir da inclusão socioprodutiva de agricultores familiares e membros de comunidades tradicionais.

O edital prevê aporte total de R$ 1,5 milhão e os pesquisadores devem submeter os projetos até 30 de novembro deste ano. Na área socioambiental, podem ser inscritas propostas para desenvolver tecnologias sociais de bombeamento e tratamento de baixo custo para águas superficiais e subterrâneas. Em outra vertente está o incentivo ao turismo ecológico e cultural, com mapeamento dos atrativos e criação de roteiros.

“A falta de agua potável é um problema que está ameaçando a todos. A conservação da bacia é de vital importância para a região que está inserida no semiárido brasileiro com a proteção das nascentes e da vegetação, principalmente da mata ciliar que protege as margens dos rios e veredas reduzindo o assoreamento”, explica a analista ambiental do Instituto Estadual de Floretas (IEF), Escritório Regional Alto Médio São Francisco, Laíssa de Araújo Viana.

Já os projetos da área socioprodutiva devem apoiar a produção agroecológica de alimentos, inclusive de hortaliças, voltada para a comercialização em mercados locais e o fortalecimento da cadeia produtiva da farinha de mandioca. Destaca-se ainda o desenvolvimento de processos para beneficiamento, extração e qualificação de concentrados de polpas, óleos, princípios ativos e especialidades químicas.

Ainda de acordo com o edital, todas as propostas devem respeitar as vocações naturais e culturais da região, caracterizada pela diversidade de povos, costumes e saberes tradicionais. Comunidades como veredeiros, geraizeiros, chapadeiros, ribeirinhos e quilombolas ocuparam o território há séculos e usam os recursos naturais do Cerrado de maneira sustentável.

 

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Pesquisas em andamento

Duas outras chamadas também voltadas para a preservação da Bacia Hidrográfica do Rio Pandeiros já haviam sido abertas pela Fapemig em anos anteriores. Inclusive, os estudos para recuperação do local já estão em andamento, como é o caso do trabalho coordenado pelo professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Marcos Koiti Kondo, que pesquisa formas de controlar a erosão na bacia.

“O mais problemático na região é a erosão do solo arenoso, o voçorocamento. A voçoroca é uma forma de erosão muito agressiva que forma crateras enormes causadas, sobretudo, pelas águas das chuvas. Estamos desenvolvendo tecnologias para que possam ser aplicadas na bacia futuramente”, esclarece o pesquisador da Unimontes.

De acordo com Marcos Kondo, a ideia é evitar que os sedimentos sejam transportados para a parte baixa da bacia, onde está localizado o Pântano dos Pandeiros, refúgio ecológico protegido pelo Estado, onde se reproduzem cerca de 70% das espécies do Médio e Baixo São Francisco. Os sedimentos, sobretudo a areia, têm provocado o soterramento do pântano.

“Vamos testar várias ações, desde a revegetação de espécie nativas, como o pequizeiro e o araçazeiro, à construção de barramentos para que os sedimentos não continuem avançando. São várias práticas que vão acontecer simultaneamente”, conta o professor. O período chuvoso deste ano vai ser usado para testar as ações de manejo de solo e água.

O projeto coordenado pelo pesquisador Jefferson Vianna Bandeira, do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também propõe identificar as causas da intensa erosão que ocorre na parte alta da bacia. Com o estudo, o pesquisador pretende contribuir para a determinação das intervenções mais adequadas para minimizar o assoreamento da região do pântano.

 

17-11-2016