Produtores rurais fazem manifestação em Brasília pela aprovação de novo Código Florestal

Cerca de 15 mil produtores rurais de vários estados brasileiros fizeram nesta terça-feira uma manifestação em frente ao Congresso Nacional para pressionar pela aprovação da reforma do Código Florestal, que está em discussão na Câmara dos Deputados. Representantes do agronegócio defendem o texto apresentado pelo relator da proposta, o deputado Aldo Rebello (PCdoB- SP).


O projeto de lei foi aprovado no ano passado em uma comissão especial na Câmara. Polêmico, o texto foi alvo de contestações de ambientalistas, da comunidade científica e de movimentos sociais ligados à área rural.


Para a pequena produtora de Mato Grosso do Sul, Maria Andréia, o agricultor rural é considerado o "grande vilão" pelos ambientalistas. "Se a nova lei for aprovada quem já desmatou vai produzir em cima do que já tem, na área de 20% de reserva legal, e com isso não vai prejudicar o meio ambiente como eles estão dizendo e vai favorecer a todo mundo", disse.


"Os maiores ambientalistas do país são os agricultores", completou o deputado Vilson Covatti (PP-RS) que também estava presente na manifestação.


Segundo a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, a situação de insegurança jurídica prejudica as atividades no campo, por isso há a necessidade de regularização das áreas de plantio. "Os produtores podem produzir mais alimentos sem que seja preciso ocupar novas áreas, desde que a legislação ambiental seja modernizada", declarou.


A mobilização durará o dia inteiro. O ponto alto está previsto para as 14h30 quando as alterações no Código Florestal serão discutidas em audiência pública na Comissão de Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional.


Para o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, que participou da manifestação, o parlamentar que não votar a favor do código será considerado traidor.


Logo depois da audiência, os produtores devem dar um "abraço simbólico" no Congresso Nacional.