Série de dados de saneamento (água e esgoto) – momento 4

Por Sérgio Antonio Gonçalves

 

Neste momento 4, abordaremos a temática “Investimentos efetivamente realizados em 2014 e a evolução da extensão de rede e a quantidade de ligações em água e esgoto.” (fonte SNIS/2016)

 

Acredito que para um melhor entendimento, é necessário lembrar o que foi escrito no Momento 1, onde abordei o estudo realizado que prevê a necessidade de investimentos para a sua universalização, nos quatro componentes de saneamento: água, esgoto, drenagem e resíduos sólidos, acrescidos da gestão, que somam na ordem de R$ 509 bilhões. Onde o esgoto corresponde a maior necessidade de investimentos no valor de R$ 181,9 bilhões, seguido da água R$ 122,1 bilhões, da drenagem R$ 68,7 bilhões, dos resíduos sólidos urbanos R$ 23,4 bilhões e a gestão para todos os serviços R$ 112,3 bilhões. Isso demonstra o grande desafio do setor, e a necessidade da priorização desta política pública que é de responsabilidade de todos os entes da federação.

 

Lembro que tratarei predominantemente de água e esgoto, conforme definido no título deste momento 4.

 

No quadro demonstrativo dos Investimentos efetivamente realizados 2014, vemos que foi investido um total de R$ 12,2 bilhões. Analisando-se por regiões geográficas temos que, a região Sudeste é a que mais investiu, com o valor de R$ 6.661,4 milhões, que significa 54,6% de todo o investimento realizado nas regiões do País, para o ano de 2014; seguindo-se pela região Nordeste com R$ 2.110,0 milhões (17,3%); região Sul com R$ 1.786,7 milhões (14,6%); região Centro-Oeste com R$ 2.110,0 milhões (9,9%); e a região Norte com R$ 436,5 milhões (3,6%).

 

Se fizermos uma divisão dos investimentos por número de habitantes por região (censo 2010), teremos os seguintes investimentos per capita: o maior é na região Centro-Oeste com R$ 85,6 por habitante; seguidos da região Sudeste com R$ 82,9 por habitante; da região Sul com R$ 65,2 por habitante; da região Nordeste com R$ 39,8 por habitante e; na região Norte com R$ 27,6 por habitante.

 

Quando comparamos o ranking dos investimentos, em moeda R$, com o ranking dos valores per capita por habitante, percebemos que existem algumas variações nas posições: a melhor ranqueada nos investimentos (R$) é a região Sudeste, enquanto a melhor ranqueada nos investimentos per capita por habitante é a região Centro-Oeste; a segunda melhor ranqueada nos investimentos (R$) é a região Nordeste, enquanto a segunda melhor ranqueada nos investimentos per capita por habitante é a região Sudeste; a terceira melhor ranqueada nos investimentos (R$) é a região Sul, neste caso tem o mesmo ranking nos investimentos per capita por habitante; a quarta melhor ranqueada nos investimentos (R$) é a região Centro-Oeste, enquanto a melhor ranqueada nos investimentos per capita por habitante é a região Nordeste; a quinta ranqueada nos investimentos (R$) é a região Norte, neste caso tem o mesmo ranking nos investimentos per capita por habitante. Assim, as únicas regiões que mantêm as mesmas posições em investimentos (R$) e per capta são as regiões Sul (terceira posição) e Norte (quinta posição). As demais regiões variam suas posições.

 

Para que pudéssemos fazer uma melhor análise, teríamos que comparar os investimentos (R$) com a per capta por habitante e com o déficit em atendimento (água e esgoto). Mesmo assim, estes primeiros dados já ajudam em algumas análises.

 

Os dados do SNIS (Sistema nacional de Informações em Saneamento, do Ministério das Cidades), mostram que embora os investimentos estejam aumentando ano a ano, os prestadores de serviços públicos de saneamento possuem limites operacionais e institucionais, para aumentarem, da forma necessária, o nível de investimentos. Com isso, o prazo necessário para que se universalizem estes serviços, fica cada vez mais longo.

 

Verificamos, também, que embora os gráficos da quantidade de ligações e da extensão de rede apresentam curvas ascendentes, no período de 2000 a 2014, sua inclinação positiva nos últimos 14 anos, ainda, não é o suficiente para que a população possa vislumbrar, em pouco tempo, o atendimento niversal.

 

Assim, podemos voltar a discutir que, embora necessitemos de mais recursos para o setor, apenas isso, não será o suficiente para que avancemos, no tempo que a população espera que o façamos. A gestão administrativa, operacional e financeira é primordial!

 

Sérgio é Engenheiro Civil e especialista em Saneamento e Meio Ambiente, visite seu perfil aqui!

Mais momentos:

 

Momento 1

Momento 2

Momento 3

 

27-07-2016