RJ não cumpre nenhuma meta ambiental estabelecida para a Olimpíada



O dossiê com uma série de metas ambientais prometidas como legado das Olimpíadas no Rio de Janeiro ficou apenas no papel. A pouco menos de um mês para o início dos jogos, a cidade não conseguiu cumprir nenhum dos compromissos pré-estabelecidos. O assunto foi tema de uma reportagem especial do jornal Folha de São Paulo, que detalhou a situação do saneamento básico e da recuperação ambiental na capital fluminense.

 

Dificuldades financeiras, de gestão e até novos critérios justificam o abandono dos compromissos feitos ao Comitê Olímpico Internacional (COI) no Dossiê de Candidatura da Rio-2016. O documento de 614 páginas usava o legado dos jogos como um dos principais ativos para trazer o evento pela primeira vez para a América do Sul.

 

Baía de Guanabara

 

O tratamento do esgoto lançado na baía de Guanabara, local das competições de vela, é um dos principais símbolos do fracasso do legado ambiental da Rio 2016, segundo a reportagem. A Olimpíada foi apontada no documento como uma forma de acelerar o projeto, debatido desde a década de 1990.

 

A intenção era conseguir limpar 80% do esgoto emitido pelas 9 milhões de pessoas que dependem da Baía. No entanto, a capacidade das sete estações de tratamento instaladas subiu de 16% para 48% do esgoto total produzido, mas a ausência de tubulações que levem o material até elas faz com que operem abaixo do limite.

 

De acordo com a Secretaria Ambiental, seriam necessários R$ 12 bilhões para universalizar o saneamento básico dos 15 municípios no entorno do Rio, mas a verba é inviável para o governo, que passa por uma grave crise financeira.

 

Lagoa Rodrigo de Freitas

 

O objetivo era deixar a Lagoa Rodrigo de Freitas em condições ideais para banho. Apesar de melhorar a qualidade da água em relação a 2009, a meta foi abandonada, já que a avaliação ambiental é de que isso é inviável.

 

Compensação ambiental

 

A meta de plantar 24 milhões de mudas também não foi atingida. O Rio recebeu apenas 5,5 milhões de novas árvores.

 

De acordo com a Secretaria Ambiental do Rio de Janeiro, o plantio de mudas foi substituído por outras técnicas para captura do carbono. A pasta informa ter feito o restauro de 3.275 hectares da Mata Atlântica, o que corresponde a 69% do total necessário para compensar as emissões de gases poluentes associadas às obras públicas estaduais.

Amda

21-07-2016