Emissão de CO2 dispara, e BH teme descontrole da poluição



Nos últimos 14 anos, a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) quase dobrou em Belo Horizonte, superando o índice per capita registrado em São Paulo, uma das cidades mais poluídas do país. Caso não haja nenhuma medida para a mitigação desses poluentes, esse número pode aumentar mais 35% até 2030. Com isso, o nível de poluição na capital mineira passaria de 1,76 toneladas de gás carbônico por habitante (tCO2/hab) para 2,4 tCO2/hab, valor semelhante ao da Cidade do México, que tem 2,6 tCO2/hab, e Rio de Janeiro, que possui 2,3 tCO2/hab. São Paulo hoje registra 1,4 tCO2/hab. Os números são dos Inventários de Emissão de Gases produzidos por cada cidade.

 

No momento, Belo Horizonte ainda emite gases poluentes dentro do previsto pelo padrão internacional: até 2 tCO2/hab. O crescimento da poluição, no entanto, preocupa poder público e especialistas, que temem que a cidade alcance níveis como os da Europa e dos Estados Unidos, extremamente nocivos. Além de prejudicar o meio ambiente, esses gases geram problemas de saúde na população e até doenças graves como o câncer.

 

De acordo com o ambientalista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) David Zee, existe um desequilíbrio na produção de gases no planeta, pois muitos são lançados pelo homem na atmosfera. “Já vemos problemas com isso em São Paulo. Acontece muito na China, onde a matriz energética é muito dependente do carvão e do petróleo. Isso polui o ar, primeiramente. Há uma mistura da umidade do ar com o CO2, produzindo o ácido carbônico. Ele chega a causar ardência nos olhos”, detalha o especialista, ressaltando que os GEE também são os principais causadores do chamado aquecimento global. Os mesmos problemas se repetem em todos os lugares do mundo.

 

O coordenador de oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, André Murad, afirma que os gases têm sido um dos principais causadores de câncer de pulmão. As temperaturas mais altas também trazem danos indiretos, como o aumento de doenças que dependem de determinadas situações climáticas, como o frio, e o impacto nas estações do ano, o que causa secas e enchentes, ambas influenciadas pelos GEE.

 

Crescimento

 

Emissão. Estudos internacionais mostram que as cidades mais pobres são as que têm menores índices de GEE, pois eles têm a ver com desenvolvimento, que inclui automóveis e edificações.

Plano cria esforços para conter problema

 

Prevendo o aumento da poluição a partir de seu Inventário da Emissão de Gases, revisado pela última vez em 2013, a Prefeitura de Belo Horizonte formulou o Plano de Redução de Gases do Efeito Estufa, com uma série de propostas para ajudar a reduzir os poluentes. A maioria das medidas está ligada à área de transportes, principal poluidora.

 

O potencial de redução de poluentes de cada proposta foi avaliado pela prefeitura, além de seu benefício e custo social. Elas estão inseridas no contexto do Plano Estratégico BH 2030, com várias metas para a gestão da cidade cumprir, mas, para que se tornem realidade, é preciso que haja esforços de outros departamentos, como a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) e a Secretaria de Planejamento Urbano.

 

Especialistas em meio ambiente, setores da prefeitura e sociedade civil se reúnem em um comitê para pensar a política conjuntamente. (BF)

28-6-2016