Esgoto é despejado em córrego



Não são apenas as canalizações clandestinas que poluem as várias nascentes da Estação Ecológica de Fechos, em Nova Lima, na região metropolitana. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) analisa acusações de que a própria Copasa não estaria conseguindo fazer o tratamento adequado do esgoto do bairro Jardim Canadá, que é lançado diretamente em afluentes do córrego de Fechos. A companhia de saneamento, no entanto, negou a denúncia. “Com a instalação da Estação de Tratamento de Esgoto – ETE Jardim Canadá, em 2007, todo o esgoto coletado da região passou a ser tratado. No entanto, alguns moradores lançam, clandestinamente, o esgoto na galeria de água pluvial, que coleta a água da chuva, e esse esgoto clandestino segue até o córrego de Fechos”, disse a empresa.

 

Apesar da negativa da Copasa, a reportagem de O TEMPO esteve na ETE do bairro Jardim Canadá e pode verificar que, mesmo depois de todo o processo, a água proveniente de casas da região continua suja, com espuma e odor forte. Sob anonimato, um funcionário da Copasa esclareceu que a estrutura no local consegue tratar apenas 80% do esgoto. “O resto, os 20%, cai no córrego. A estrutura aqui é precária e não consegue processar toda a água suja que chega”.

 

Ainda de acordo com ele, a estrutura da ETE foi repassada pela Prefeitura de Nova Lima com erros de engenharia. Para tentar consertar esses defeitos, a Copasa instalou uma estrutura temporária. “Isso melhorou a situação, mas não resolveu. Essa estrutura foi instalada há pelo menos três anos e permanece no local”.

 

A análise do TJMG corre desde 2010, e a Copasa já chegou a ser multada pela infração. Como a empresa alega já ter resolvido os problemas, a Justiça determinou, no fim de 2015, que fosse feita uma perícia no local para avaliar os prejuízos causados ao meio ambiente. O trabalho pericial segue sendo realizado, e uma decisão da ação ainda não possui prazo.

 

Problemas. Enquanto o problema é discutido judicialmente, moradores da região sofrem com a situação. “O cheiro é muito forte. Antigamente, víamos tatus, peixes e outras espécies de animais por aqui. Hoje em dia não vemos mais nada disso, pois está poluído. É visível”, afirmou Robert Laviola, da Associação dos Condomínios Horizontais (ACH).

 

Para a coordenadora do subcomitê Águas da Moeda, Camila Alterthum, enquanto o problema não for resolvido, as águas da região sofrerão com a poluição. “É um problema bem conhecido das autoridades pela população e precisa ser resolvido. Só que nunca se acha a responsabilidade, e, enquanto ninguém assumir o problema, não teremos uma solução”.

 

Ecossistema

 

A fauna na estação conta com 33 espécies de aves e 20 espécies de mamíferos, sendo que duas delas, o macaco-sauá e o gato-do-mato, estão atualmente ameaçadas de extinção.

 

Promessa, parque natural na região ainda não saiu do papel

 

Anunciado por decreto em abril do ano passado pela Prefeitura de Nova Lima, o Parque Natural Municipal de Fechos ainda não saiu do papel. O terreno, que fica ao lado da estação ecológica, também sofre com a degradação e com a grande quantidade de lixo que é despejada no local.

 

“Um parque aqui favoreceria a conservação de Fechos e, ao mesmo tempo, permitiria que muitos que desconhecem essa região pudessem desfrutar um pouco da natureza que se tem aqui”, disse a coordenadora do subcomitê Águas da Moeda, Camila Alterthum.

 

O terreno anunciado como futuro parque é motivo de disputa entre a Prefeitura de Nova Lima e a de Belo Horizonte, que afirma ser a verdadeira dona da área. A prefeitura da capital informou que entrou com uma ação em janeiro contra o município de Nova Lima, por ter decretado a criação do parque na área.

 

Procurada para comentar o motivo de o parque ainda não ter sido criado, a Prefeitura de Nova Lima não havia se pronunciado sobre o assunto até o fechamento desta edição.

 

Projeto de expansão está parado

 

Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, um projeto de lei que planeja expandir a área da Estação Ecológica de Fechos está parado há quase ano na casa. De autoria do deputado estadual Fred Costa (PEN), a proposta visa aumentar a área em 269,5 hectares.

 

Uma audiência pública sobre o assunto já foi solicitada na Comissão de Meio Ambiente da Casa, mas uma data para a reunião ainda não foi estipulada. A justificativa declarada no projeto para expansão da área foi o aumento da proteção da “área verde e de mananciais” da Estação Ecológica de Fechos.

 

“É um problema bem conhecido das autoridades e pela população, e precisa ser resolvido. Só que nunca se acha a responsabilidade e, enquanto ninguém assumir o problema, não teremos uma solução”.

 

Camila Alterthum Subcomitê Águas da Moeda

07-03-2016