Parlamentares visitam lagoa que emana fumaça tóxica



A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vai oficiar à Prefeitura de Sete Lagoas (Região Central do Estado) solicitando providências para solucionar a situação da Lagoa de Matadouro, uma das principais do município, localizada no bairro Vapabuçu. Há anos, a população se queixa de fumaça tóxica que emana da lagoa em períodos de seca, envolvendo todo o bairro e afetando a saúde da população. Em visita técnica ao local, nesta terça-feira (23/2/16), deputados da comissão conversaram com moradores e lideranças locais e se comprometeram a discutir uma solução do problema junto à Prefeitura e a órgãos públicos estaduais ligados ao meio ambiente.

 

Após ouvir a população e fazer um diagnóstico da situação, os parlamentares vão elaborar um relatório a ser encaminhado à Prefeitura e aos órgãos ambientais, conforme esclareceu o presidente da comissão, deputado Cássio Soares (PSD), que acompanhou o autor do requerimento para realização da visita, deputado Douglas Melo (PSC).

 

Para os deputados, cabe principalmente à administração municipal buscar alternativas. Segundo Douglas Melo, a Prefeitura já dispõe de um projeto de revitalização da lagoa, orçado em R$ 8 milhões, o que, na sua opinião, não é um valor muito alto, “considerando o orçamento municipal de Sete Lagoas, que é da ordem de R$ 720 milhões”, diz ele.

 

“Temos, agora, que unir esforços e buscar parcerias entre a Prefeitura e o Governo do Estado, com o apoio da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa”, afirmou o autor do requerimento. “Vamos provocar o município e também os órgãos ambientais do Estado para salvar a lagoa”, afirmou, por sua vez, Cássio Soares, dizendo-se convencido de que o prefeito está interessado em buscar soluções e, se ainda não o fez, terá sido “por falta de mecanismos próprios”.

 

Desiludidos, alguns moradores, porém, não acreditam que haja interesse da Prefeitura. É o caso, por exemplo, de Elizeth Cristina Soares Martins, cuja casa fica bem próxima à lagoa. Revoltada, ela diz que há anos pedem providências sem que a administração municipal dê uma resposta satisfatória.

 

Fumaça provoca problemas respiratórios e outras doençasO assunto vem mobilizando a população local, que sofre com a fumaça tóxica e o mau cheiro que emanam da lagoa em períodos de seca, quando o espelho d'água praticamente desaparece, dando lugar apenas a um brejo com buracos profundos de onde brotam os gases. No entorno, localiza-se a horta comunitária do bairro, que também é afetada pela fumaça nos períodos críticos.

 

Moradora do local há 30 anos, Efigênia Auxiliadora Nascimento de Carvalho, que é também filiada à Associação de Produtores da Horta Comunitária do Bairro Vapabuçu, diz que o fenômeno ocorre há cerca de cinco anos, agravando-se sobretudo à noite. Segundo ela, com a seca, as águas se evaporam completamente e o fundo da lagoa "ferve", emanando gases e fumaça tóxica. “Às seis horas da manhã, quando chegamos para trabalhar, a horta está coberta de fumaça”, conta ela.

 

Essa fumaça, segundo narram os moradores, provoca problemas respiratórios, como bronquite, atingindo principalmente idosos e crianças. Dona Efigênia conta que, quando começou o problema, seu neto, à época com dois anos, passou a conviver com graves problemas de saúde.

 

Francisco Fernandes da Silva, também morador do bairro e produtor da horta comunitária, observa que, devido às chuvas mais abundantes neste verão, a situação melhorou bastante, eliminando a fumaça e o mau cheiro. Mas, assim como os demais moradores, ele teme que o problema volte tão logo retorne o período de seca.

 

Os buracos profundos que se formam na lagoa são outro problema temido pelos moradores. Um deles, Vinícius Castro, assessor parlamentar, teve 30% do corpo queimado quando, inadvertidamente, caiu dentro de um buraco na lagoa, em junho de 2013. “A sensação que eu tive é que estava sendo fritado, minha calça foi destruída, meu tênis derreteu”, lembra.

 

Fora de área nobre, lagoa caiu no esquecimento

 

O assunto é controverso. Alguns moradores acreditam que o problema decorre da grande quantidade de lixo e entulho que são depositados constantemente no fundo da lagoa e da falta de cuidados. Outros alegam que o gás que emana do leito seria metano, produzido pelos entulhos ou por acúmulo de matéria orgânica. E muitos reclamam que a Prefeitura não se interessa pelo problema pelo fato de a lagoa não estar situada em área nobre da cidade.

 

A engenheira ambiental Karla Thatiany Xavier, técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, afirma que, no ano passado, a lagoa foi examinada pelo professor Luiz Marcelo Sans, especialista em solo da Unifemm, o Centro Universitário de Sete Lagoas. Na ocasião, segundo ela, o professor constatou excesso de matéria orgânica no fundo da lagoa. De origem vegetal, esse material, conhecido como turfa, seria responsável pela emanação dos gases e da fumaça. Atualmente, porém, de acordo com Karla, essa matéria praticamente desapareceu, após as chuvas.

 

Há ainda quem acredite que para revitalizar a Lagoa do Matadouro seria necessário investir também na revitalização das três nascentes que abastecem a lagoa. Para Karla, porém, essas nascentes, por uma série de fatores, praticamente já não existem mais.

 

Vereadores - O vereador de Sete Lagoas, Milton Martins (PSC), diz que já entrou com pedido na Câmara Municipal para realizar uma audiência pública a fim de discutir o problema que tanto aflige a população. O vereador Padre Décio (PP), por sua vez, diz que a situação não é tão grave e que já recorreu ao Ministério Público Estadual e entrou com projeto pedindo cuidados com as matas ciliares. Segundo ele, dentre todas as lagoas do município, a do Matadouro é a única que ainda conta com mata ciliares.

 

Já o presidente da Câmara, vereador Fabrício Nascimento (PMN), informou que no início da atual gestão a Prefeitura investiu na revitalização das lagoas centrais e ele acredita que ainda este ano a administração municipal fará o mesmo com relação à Lagoa do Matadouro.

 

25-02-2016