Ibama e ICMBio correm contra o tempo para salvar fauna no Rio Doce



Ativistas e órgãos ambientais correm contra o tempo desde o início da semana para tentar salvar a fauna do Rio Doce e região afetada pela catástrofe provocada pelo rompimento de barragem da mineradora Samarco, em Mariana, na região Central de Minas.

 

Dentre as ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por exemplo, está a transferência de ninhos de tartarugas marinhas para áreas que não deverão ser atingidas pela onda de lama. Outras ações são a criação de barreiras de contenção também foram instaladas e escavação de canais para conduzir a lama.

 

Segundo os órgãos, o impacto à biodiversidade neste momento está concentrado nos peixes. O avanço da lama provavelmente está provocando a fuga dos peixes de superfície rio abaixo. Mas os peixes de fundo – como cascudos e bagres – não acompanham este movimento. Essas espécies serão capturados e levados para rios de menor porte que desaguam em outros maiores.

 

Técnicos iniciaram a busca e o mapeamento dos rios que estão servindo de refúgio aos peixes em toda a extensão do Rio Doce, entre a cidade de Mariana e a foz em Regência (ES). A previsão para conclusão deste trabalho é 11 de dezembro.

 

Também será realizada coleta e análise de material para verificar o impacto sobre os peixes em suas diversas fases de vida. Após esta etapa, será preparada uma avaliação geral sobre o estado de conservação da biodiversidade do rio e as recomendações para um plano de ações de conservação e recuperação da fauna do Rio Doce.

 

Alerta

 

O Ibama e ICMbio também faz um alerta para voluntários que fazem a transferência de peixes para lagoas, por exemplo, sem o devido cuidado. O procedimento pode gerar os seguintes problemas potenciais:

 

- Altíssimos índices de mortalidade dos peixes trazidos do Rio Doce, pelas dificuldades técnicas no transporte ou pela não adaptação aos ambientes das lagoas marginais;

 

- Predação maciça de peixes jovens em desenvolvimento em lagoas que tenham papel de berçário;

 

- Transferência indiscriminada de espécies exóticas invasoras presentes no Rio Doce, como o bagre africano e o Tucunaré;

 

- Concorrência intensa com os peixes residentes das lagoas, por comida e refúgios;

 

- Alterações químicas decorrentes de possíveis contaminantes que podem já ter chegado aos pontos mais baixos do Rio Doce;

 

- Mortandade em massa pelo esgotamento de oxigênio na água em razão da superlotação das lagoas.

20-11-2015