Pesquisa mostra rio contaminado depois da ETE



As águas do rio Vieira apresentaram contaminação mesmo depois da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), o fato preocupante é que coloca em risco a saúde dos moradores daquela parte da cidade que utilizam dessa água. A constatação foi apresentada no sábado à tarde, durante o Congresso Internacional Vidas Áridas, realizado em Montes Claros, quando um grupo de estudantes do curso de Engenharia Ambiental apresentou a pesquisa. A acadêmica, Marielle Araújo Barboza, acredita que isso comprova uma falha no tratamento ou então que está havendo esgoto clandestino em Montes Claros. O Congresso Internacional teve duração de quatro dias e foi encerrado no sábado, com a participação de centenas de ambientalistas e estudantes.

 

Na noite de sexta-feira, depois de amplo debate, foi elaborada a Carta de Morrinhos, que estabeleceu intenções para a meta 2020 em defesa do São Francisco. Apolo Heringer Lisboa, do Grupo Manoelzão; Antônio Jackson Borges Lima, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e Sóter Magno, da ONG Ovive expuseram a imediata intervenção em prol da Bacia do rio São Francisco. A Carta de Morrinhos está elencada em cinco pontos principais: Volume de água duplicado na bacia hidrográfica, vencer a desidratação provocada na bacia; Lagoas marginais preservadas; Qualidade da água na bacia; Mobilização, comunicação e organização na bacia do São Francisco; e Ações operacionais técnicas e científicas.

 

No caso da contaminação do rio Vieira, depois da ETE de Montes Claros, Marielle Araújo explica que junto com as colegas Nicole Caldeira Rocha e Fernanda Ferreira fizeram a coleta da água em cinco pontos, em setembro de 2014, quando observaram que existe contaminação com Escherichia Coli em todo trecho do rio, inclusive na nascente. Ela ficou impressionada com a constatação da contaminação depois da ETE, pois pela lógica, a água deveria chegar limpa, o que não ocorreu. Foram feitas 15 coletas de água, três em cada ponto. A contaminação deixa os moradores vulneráveis a infecção urinária e intestinal.

 

A ambientalista, Kelry Aurea Costa Fonseca e seu esposo, Alex Said, realizarão uma pesquisa sobre o desperdício que a ETE de Montes Claros está apresentando, pois poderia gerar energia para se manter caso utilizasse o biogás produzido no processamento da unidade. Ela lembra que atualmente o biogás é jogado na atmosfera, principalmente, com produtos como o metano e dióxido de carbono. Como se processa 300 metros cúbicos por segundo na ETE de Montes Claros, somente 40% é queimado. Em sua opinião, se a Copasa desejar pode ajudar Montes Claros a produzir a energia que movimentará a ETE e ainda ajudar a cidade, com a economia que gerará.

 

Outra pesquisa realizada pelo casal foi sobre a Barragem de Jequitaí, quando avaliam que isso é apenas um projeto político, já que foi criado há mais de 40 anos, ele sempre alimentou o sonho de toda população, mas a realidade é que nenhum morador da localidade será beneficiado, pois o foco da barragem é a irrigação, que atende apenas quem tem condições de investir. As famílias são indenizadas e perdem seu vínculo com o local onde sempre viveram. Kelry Aurea cita que iniciaram as obras e dinamitaram o local onde será o eixo da barragem, deixando um banco de terras que numa enchente, corre risco de causar uma tragédia ambiental e social.

 

O jornalista Délio Pinheiro e o professor Antônio Ferreira, o Tonico, coordenadores do Congresso Internacional Vidas Áridas entendem que o evento atendeu as expectativas. No sábado de manhã, no auditório das Faculdades Pitágoras, durante as atividades técnicas, foram levantados 26 pontos da crise ambiental, que serão estudados e buscados soluções em caráter emergencial.

16-11-2015