Lama prejudica qualidade da água e fornecimento é cortado



Um pouco diluída pelo longo caminho até Governador Valadares, a lama que vazou das barragens em Mariana tem trazido cheias para o rio Doce, que até a semana passada sofria com a seca. Mas a água extra, ao invés de trazer alívio, preocupa. Segundo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), até o fim da tarde, o nível da água já havia subido 1,4 m, mas a quantidade de ferro e de materiais sólidos (turbidez) estavam acima do recomendado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

 

O fornecimento de água foi cortado ontem, mas os moradores não foram afetados porque havia água no reservatório e porque a SAAE ainda tinha capacidade para tratar o que chegava. A preocupação é com o pico de rejeitos, que deve acontecer hoje e pode durar um dia inteiro. “A capacidade de abastecimento de nossos tanques é de um dia. Se passar disso, ficaremos sem água. Já temos um plano, mas não é possível saber o que vai acontecer”, afirma o diretor-geral da Saae, Omir Soares. O plano foi elaborado em reunião ontem e prevê buscar água em cidades vizinhas, tratadas pela Copasa.

 

Em alerta. A prefeitura usou um carro de som para avisar os moradores sobre a necessidade de economizar água. O comércio já se organiza para o caso das torneiras secarem. Um hotel, por exemplo, já estuda fechar as portas para novos hóspedes. Mas entre os moradores, a preocupação não se concretizou, pelo menos por enquanto. Muitos passaram o domingo perto das margens do rio, fazendo fotos.

 

A autônoma Marina Carvalhaes, 51, explica que a cidade já havia se acostumado com escassez por causa da seca. “Estou confiando nas autoridades de que a água não irá nós contaminar. Fico preocupada, mas ver o rio cheio de novo também é bom”, afirma. O professor Felipe Oliveira, 23, teme uma contaminação. “Dá medo da água chegar suja”, explica.

 

Para a prefeita, Elisa Maria Costa (PT), a situação é muito crítica. “É a primeira vez na história que vemos um caos como esse”, afirma. Bombeiros, Defesa Civil e SAAE estão monitorando o rio constantemente, com coleta de amostras a cada meia hora.

 

A previsão é que a lama chegue a Colatina e Linhares, no Espírito Santo, amanhã. O Ministério Público capixaba informou que vai cobrar qualquer dano na Justiça.

 

Samarco

 

Nota. A Samarco informou que está monitorando o percurso da mancha que avança no rio Doce e tomando todas as providências para mitigar os impactos ambientais e auxiliar prefeituras.

11-11-2015