Falta de água faz prefeitos cortarem serviços públicos



A seca em Minas piora a cada dia e já prejudica o funcionamento de escolas e do comércio nos municípios, especialmente no Norte e nos vales do Jequitinhonha e Mucuri. Prefeituras que ainda não haviam cortado o expediente pela metade por causa da crise financeira agora o fizeram porque não há água para trabalhar.

 

O presidente da Associação dos Municípios da Área da Sudene (Amams), César Emílio Oliveira, conta que nas cidades de Taiobeiras, Francisco Sá, Mamonas e Brasília de Minas a situação é crítica.

 

“Algumas cidades estão dependendo somente do abastecimento de carros-pipa. Com a falta d’água, as escolas fecham mais cedo e o comércio fica prejudicado, porque 90% dos comerciantes da região dependem de produtos dos agricultores que também estão numa situação muito difícil”, relata Oliveira, que é prefeito de Capitão Enéas.

 

O município é um dos mais de 120 que decretaram situação de emergência por causa da seca e da estiagem, de acordo com boletim da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil emitido neste mês.

 

Conforme o presidente da Amams, será feito um diagnóstico da situação em toda a região ainda nesta semana para definir quais medidas poderão ser tomadas. “A arrecadação já está caindo em nível nacional, dia a dia em todos os municípios. Com o agricultor descapitalizado piora ainda mais”.

 

Pelo menos 80% dos rios e riachos que abastecem o rio São Francisco estão secos, conforme denuncia o deputado estadual Gil Pereira (PP), ex-secretário de Desenvolvimento do Norte. Os demais, ainda de acordo com ele, estão em filetes. Como se não bastasse, a barragem de Juramento, que abastece a cidade, está no volume morto.

 

Se não chover nos próximos dias, ele acredita que será impossível fugir de um racionamento. “O Norte de Minas enfrenta uma seca extrema há cinco, seis anos. É uma situação insuportável, que não pode continuar”, rechaça.

 

Segundo o deputado, para sanar o problema é necessário ampliar o investimento em meio ambiente e recuperação nas matas ciliares.

 

O prefeito de Patis, Vinícius Versiani, afirma que tem se reunido com representantes da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) com o objetivo de buscar alternativas para melhorar o abastecimento da cidade. Até agora, no entanto, não foram encontradas soluções para o problema, que vem se agravando.

 

“O nível dos reservatórios que abastecem a região está caindo e se continuar neste ritmo o atendimento vai ficar ainda mais comprometido”, lamenta o prefeito.

 

O Hoje em Dia não conseguiu contato com o secretário estadual do Norte.

 

Com o clima adverso, homem do campo já mostra desalento

 

A cidade de São Francisco, no Norte de Minas, pede socorro. Sem água na zona rural, as escolas são abastecidas por carros-pipa do Exército. Sem a mesma “sorte”, o homem do campo começa a entregar os pontos. “O gado de corte está muito magro e as plantações secaram. Os pequenos produtores praticamente não têm mais o que vender para sobreviver”, afirma a presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas da Cidade, Elaine Rodrigues Oliveira Santos.

 

É comum encontrar no meio rural quem não conseguiu arcar sequer com as contas do supermercado ou de luz do mês, ressalta Elaine. Como reflexo, os comerciantes do município amargam prejuízos jamais vistos.

 

Dessa forma, o efeito cascata foi devastador. Quem vende produtos agropecuários demitiu em massa, reduzindo o poder de compra de grande parte das famílias da cidade. “Outubro é um mês que não vai deixar saudade. Nunca passamos uma situação dessas”, diz a representante da CDL de São Francisco.

 

Ainda segundo ela, até mesmo a prefeitura diminuiu o período de atendimento, funcionando seis horas – ante oito no passado –, com o objetivo de economizar. Como era feriado, representantes do Executivo não foram encontrados para confirmar a informação.

 

Em Janaúba, o comércio também sofre a drástica queda na produção agrícola, que despencou como consequência da intensificação da seca. De acordo com o gerente da Câmara dos Dirigentes Lojistas do município, Edsel Marques, falta produtos agropecuários na cidade. “Muita gente não tem mais o que vender e o caixa sofre”, lamenta.

 

Apesar disso, ele ressalta que, pelo menos por enquanto, a população é abastecida. O representante da entidade, no entanto, se mostra preocupado com o futuro da cidade. “Se a situação não melhorar não sei como ficaremos. É possível que falte água até mesmo para o consumo humano. Dessa forma, vamos ter sérios problemas”, lamenta.

 

Em Taiobeiras, moradores informaram que tem faltado água constantemente no período da noite.

05-11-2015