Qualidade da água para beber é avaliada em apenas parte das áreas verdes de BH



Quem desconfia da qualidade da água encontrada em espaços públicos de Belo Horizonte está certo. Ao contrário do que determina o Ministério da Saúde, o controle bacteriológico do recurso natural disponível em bicas e bebedouros de praças e parques não é feito de forma ampla.

 

Ao todo, existem na capital 790 praças e 90 parques, além de mirantes. Não há, no entanto, um consenso sobre a quantidade de espaços que oferecem não só água tratada, mas indicada para o consumo humano.

 

Apenas 41 áreas verdes são contempladas nos testes de laboratórios feitos pela Vigilância Sanitária Municipal por meio do programa Vigiágua. A escolha dos locais não é homogênea. Entre as oito praças contempladas, quatro estão na região Centro-Sul, duas ficam na Pampulha, uma está na Noroeste e outra na Leste. Cinco mirantes no entorno da Lagoa da Pampulha e 28 parques também integram a lista dos espaços com amostras analisadas.

 

O Vigiágua, programa obrigatório em todo o país, segundo portaria federal de 2011, é executado há 15 anos, na capital mineira. O objetivo do projeto é fiscalizar e manter em dia a qualidade da água ofertada na cidade.

 

Segundo o coordenador do programa, Emmanuel Martins, não há previsão de expansão do serviço. “Os resultados das análises indicam ótima qualidade da água tratada pela Copasa (na cidade), com apenas 0,1% de não conformidade”, justifica.

 

INSEGURANÇA

 

Mas nem todo mundo que frequenta as áreas públicas da cidade se sente seguro para matar a sede nos bebedouros. É o caso do tradutor Haydn Pimenta, de 72 anos, que vai ao Parque JK, no Sion (Centro-Sul), diariamente. O local, um dos mais procurados pelos belo-horizontinos, é um dos contemplados na amostragem do Vigiágua. Mesmo assim, não inspira confiança em muita gente. “Sou mineiro da velha guarda, sempre desconfiado”, brinca o tradutor, que prefere "segurar" a sede até chegar em casa.

 

CORAGEM

 

No bairro Santa Efigênia, um dos espaços mais concorridos por quem pratica atividade física é a praça Floriano Peixoto. As condições estruturais das bicas são boas, mas é preciso uma certa dose de coragem para beber a água, já que o local não passa pelo crivo da Vigilância Sanitária.

 

Genivaldo Souza Arruda, de 48 anos, por exemplo, até se arrisca quando bate a sede, mas prefere levar de casa a água que dá à filha Ana Carolina, de 4. “Bebo quando preciso, mas acho a água meio pesada, diferente da de casa. Para ela (a filha), não tenho muita coragem”, afirma.

 

A Vigilância Sanitária informou que a água disponível nas praças e parques é apropriada para o consumo humano, já que apresenta qualidade microbiológica, turbidez, cor, odor, concentração de cloro e de fluoretos dentro dos padrões federais de potabilidade. A Copasa também informou manter o controle de qualidade para atender aos parâmetros exigidos.

 

Coleta nas praças é realizada de segunda a quarta-feira. Foto: Carlos Henrique

 

 

Risco de contrair doenças em bebedouros danificados

 

Além da procedência da água que bebem, frequentadores de áreas públicas de BH devem ficar alerta às condições das estruturas de bicas e bebedouros. Canos quebrados, com fissuras e rachaduras ou paredes mofadas e com lodo são porta de entrada para microorganismos causadores de doenças.

 

“Quando se fala em água potável, consideramos as bactérias, que são os coliformes totais e fecais, não observados a olho nu. Eles podem desencadear quadros de vômitos, diarreias e até desidratação, um risco para a saúde humana”, explica a infectologista Thaís Guimarães, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

 

Além de contemplar a avaliação de parâmetros básicos, como turbidez, cor e teor residual de cloro e de outros elementos químicos, a análise feita na capital leva em conta as condições físicas das fontes d’água.

 

Segundo o coordenador do Vigiágua, Emmanuel Martins, os problemas encontrados são analisados e comunicados a setores específicos da prefeitura. “Canos rompidos ou paredes mofadas podem contaminar a água e os fiscais observam estes aspectos quando vão fazer a coleta”, afirma.

 

Coleta

 

Todos os meses, 89 amostras são coletadas em casas, escolas, centros de saúde, estabelecimentos comerciais, praças e parques. Os trabalhos, executados de segunda a quarta-feira, são refeitos a cada quatro meses para garantir a qualidade do recurso natural ofertado à população.

 

Especialista em saneamento e meio ambiente, o diretor da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Nelson Guimarães, reforça a importância da observação individual. “A qualidade água tratada em BH é muito boa. Mas as pessoas realmente precisam se atentar para as condições higiênicas dos locais de onde ela é retirada, pois pode haver contaminação no ponto de consumo”, diz.

 

Ponto a ponto:

 

Áreas verdes de BH onde é coletada água para análise:

 

Praças:

 

Jardim Botânico (Cidade Jardim), da Liberdade (Funcionários), Arquiteto Ney Werneck (Belvedere), Dr. Íris Valadares (Belvedere), Duque de Caxias (Santa Tereza), Ramatís (Aparecida), Geralda da Mata Pimentel (São Luiz) e Manoel de Barros (Castelo)

 

Mirantes (na orla da Lagoa da Pampulha):

 

Do Sabiá (Braúnas), Bem-te-vi (Bandeirantes), da Garça (Enseada das Garças) e do Biguá (Jardim Atlântico)

 

Parques:

 

Julien Rien (Anchieta), JK (Sion), Mata das Borboletas (Sion), das Mangabeiras (Mangabeiras), da Serra do Curral (Mangabeiras), Ecológico Renato Azeredo (Palmares), Professor Guilherme Lage (São Paulo), Fernão Dias (Fernão Dias), Jardim Belmonte (Jardim Belmonte), Orlando de Carvalho Silveira (Bairro da Graça), Ismael de Oliveira Fábregas (Nova Floresta), da Matinha (União), Ecológico e Cultural Professor Marcos Mazzoni (Cidade Nova), Ecológico do Caiçara (Caiçara), Ecológico e Cultural Jardim das Nascentes (Madri), Nossa Senhora da Piedade (Aarão Reis), Ecológico Primeiro de Maio (Primeiro de Maio), do Planalto (Planalto), Hally Alves Bessa (Estrela Dalva), do Conjunto Estrela Dalva (Estrela Dalva), Ecológico Pedro Machado (Santa Maria), Jacques Cousteau (Betânia), da Vila Pantanal (Buritis), Aggeo Pio Sobrinho (Buritis), Ecológico Lagoa do Nado (Itapoã), Alexander Brandt (Rio Branco), de Lazer Jardim Leblon (Jardim Leblon) e do Bairro Cenáculo (Cenáculo)

03-11-2015