Prevenção de enchentes em BH só em 2017

Prevenir é melhor do que remediar e, numa adaptação livre do velho ditado, sai mais barato. Em se tratando de temporada de chuvas, a precaução vem na forma de obras de contenção do excesso de água. Em Belo Horizonte, porém, intervenções que impediriam inundações em avenidas importantes da cidade se arrastam: a maioria não será entregue antes de 2017.

Portanto, são mais dois anos em que o belo-horizontino terá de conviver com cenas comuns na temporada das águas. São carros arrastados na avenida Francisco Sá, na região Oeste, lojas alagadas na Prudente de Morais (Centro-Sul) e a Bernardo Vasconcelos (Nordeste) transformada em rio, não necessariamente nesta ordem.
Um sinal de que a capital mineira segue a tendência nacional de priorizar investimento na reconstrução em detrimento à prevenção. Em dez anos, de 2005 a 2014, o governo federal gastou cerca de R$ 6 bilhões em ações de proteção e defesa civil.

Desse valor, 98% foram aplicados com emergências, resposta e reconstrução de cenários destruídos. Os recursos empregados na prevenção a desastres, inclusive contra a seca, contabilizaram pouco mais de 2%. O dado faz parte de um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

INDIGNAÇÃO

Para quem convive ano a ano com as inundações, a espera representa receio, ansiedade e garantia de prejuízo. Proprietário de uma loja de autopeças na avenida Bernardo Vasconcelos, no bairro Ipiranga, Wagner Luiz Xavier conta que, sazonalmente, há 18 anos, recebe a visita indesejada das águas do córrego Cachoeirinha quando este transborda.

Em um dos incidentes, lembra ele, a enxurrada carregou produtos do estoque, equipamentos eletrônicos e duas portas da fachada. O rombo foi de cerca de R$ 10 mil. “Se chove cinco minutos, já sai levando tudo”, diz Xavier, que instalou contenções de aço para tentar evitar novas perdas.

Em uma autoescola na mesma avenida, a água já levou um carro zero, diz o instrutor Ricardo Alves e Silva. “Além daqui, teve muita gente que já perdeu carro”. Segundo ele, há anos os moradores reivindicam melhorias.


Ano sim, ano também

A situação é a mesma na avenida Francisco Sá, no Prado. Com exceção de 2014, todos os outros anos foram de caos para moradores e comerciantes. Gerente de um dos bares mais afetados por alagamentos, André Fernando Stauffer conta que a água já atingiu um metro e 20 centímetros, chegando a arrastar um freezer e vários veículos na rua. “Quando o bueiro levanta, são apenas 30 segundos para a água subir”.

As portas do comércio também foram reforçadas com estrutura de metal, uma espécie de comporta. Outros cuidados de quem mora ou trabalha ali é sempre ter uma corda por perto para resgatar possíveis vítimas da correnteza.

Em nota, a prefeitura ressalta que a política de redução do risco de inundações tem como principais metas o planejamento e a gestão, a execução de obras estruturantes, a intensificação dos serviços de manutenção, as ações de monitoramento hidrológico e as ações preventivas.