Japão detecta plutônio em solo

A crise nuclear no Japão voltou a se agravar ontem, com a informação de que a água com elevados níveis de radioatividade encontrada no local pode ter vindo do reator nº 2 e de que traços de plutônio foram achados em cinco pontos do solo da usina de Fukushima.

O plutônio é um combustível mais tóxico do que o urânio e é utilizado em apenas um dos seis reatores da planta, o de nº 3. Na sexta-feira, o porta-voz da agência de segurança nuclear, Hidehiko Nishiyama, disse que é provável que a estrutura do reator tenha sido danificada, o que teria reduzido sua capacidade de conter vazamentos de material radioativo.

O aumento da quantidade de água contaminada em diferentes locais da usina dificulta a tentativa de restabelecimento do sistema de resfriamento dos reatores e compromete os esforços para evitar seu superaquecimento. Além do reator 2, o material também foi localizado em canos embaixo dos reatores 1 e 3 e há o temor de que ele transborde e termine no mar ou no solo.

A Tokyo Electric Power Company (Tepco) anunciou ontem a redução de 16 t para 7 t na quantidade de água que é injetada a cada hora na usina, em uma tentativa de conter a acumulação de água contaminada. A medida, porém, traz o risco de que a temperatura nos reatores volte a subir.

Os responsáveis pela usina enfrentam ainda o desafio de drenar e estocar a água com radiação de maneira segura. Enquanto isso não for feito, é pouco provável que os técnicos consigam religar os cabos que restabelecerão o fornecimento de energia para a usina. Na quinta-feira, dois funcionários da Tepco foram contaminados ao pisarem em uma poça no reator nº 2.

Ontem a empresa anunciou que a água no local apresentava níveis de radiação 100 mil vezes superior aos padrões normais. A concentração é suficiente para provocar danos imediatos à saúde. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, a quantidade de radiação presente na água do reator nº 2 pode provocar hemorragia, náusea, fadiga, vômito, queda de cabelo e diarreia. Diante da crise, a Tepco pediu ajuda a empresas francesas.

O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, apelou aos moradores da área de 20 km ao redor da usina para que não voltem para casa. Eles tiveram de deixar suas residências às pressas, sem saber por quanto tempo ficariam fora. Muitos levaram apenas a roupa que usavam.

Agora, enfrentam a possibilidade de não poderem jamais voltar. Edano disse que o governo monitorará a situação e informará quando os moradores puderem retornar ao local por curtos períodos, para pegar roupas e outros pertences.