Rio Paraíba do Sul é tema de série especial da TV Rio Sul



Um rio que nasce discreto em meio à mata atlântica e segue soberano por três estados do país: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. O gigante Paraíba do Sul.

 

A expedição começa em terra firme, na Via Dutra, em direção ao estado de São Paulo. O destino é o município de Areias, a 250 quilômetros da capital. Seguimos em dois veículos utilitários. Essa é a única maneira de chegarmos até a nascente do Paraíba do Sul.

 

O trecho de asfalto é o mais curto do trajeto. Em pouco tempo, chegamos em uma estrada de terra. A partir daqui, temos que murchar os pneus para não ficarmos pelo caminho. A vice presidente do Comitê do Médio Paraíba e um guia experiente vão nos acompanhar nessa viagem.

 

Traçamos uma estratégia e seguimos em frente. Serão quase três horas de trilha pela Serra da Bocaina, em um percurso de poucos quilômetros e em um cenário de encher os olhos. Poucos sabem como chegar até lá, mas no começo da viagem, a terra batida nos faz perceber que alguém passou com máquina pela estrada, facilitando o caminho. A única dificuldade que a gente encontra no começo é o excesso de porteiras que temos que descer para abrir. Afinal, estamos passando por áreas particulares.

 

Quanto mais andamos, mais dá para perceber que essa vai ser uma longa viagem. Do alto, vemos um rasgo estreito no meio do morro. No trajeto, belezas naturais ainda preservadas, como uma árvore mata pau, uma curiosa formação de raízes que crescem por volta de uma hospedeira e depois acaba matando a primeira por sufocamento. De tão alta, fica difícil enxergar do chão a copa da árvore.

Rio Paraíba do Sul é tema de série (Foto: Reprodução/TV Rio Sul)

Rio Paraíba do Sul é tema de série

(Foto: Reprodução/TV Rio Sul)

 

A medida que a gente avança, o solo fica cada vez mais acidentado. É nesta hora que somos obrigados a ligar a tração integral dos carros. Sem isso seria impossível continuar. Até mesmo estes 4x4 sofrem para passar em alguns momentos.

 

Atravessamos grandes erosões e pequenos riachos. Apesar do sol, o clima é bastante ameno por causa da vegetação e da altitude. Já estamos a mais de mil metros acima do nível do mar. A essa altura, só estamos nós, a vegetação e os gaviões.

 

Por aqui, eles são os reis do céu. E estão atentos a qualquer coisa que se mova e nos acompanham por muito tempo. Quanto mais subimos, mais a pista fica estreita, até que em um momento, a estrada já nem serve mais.

 

É hora de escalar as montanhas. Até que em alguns minutos, a gente encontra os primeiros sinais de que estamos na trilha certa.

 

A 1.800 metros de altitude, esta é uma das primeiras quedas d'água do Rio Pirapetinga. É água que vai ajudar a formar o Paraíba do Sul lá na frente, mas a nascente ainda está mais para cima.

 

Pelo tempo, parece que andamos um longo trecho, mas o terreno acidentado engana. Quase quarenta minutos depois e nós só subimos pouco mais de 20 metros de altitude. A trilha esteve bastante pesada, mas os carros já ajudaram bastante. Só que, a partir daqui, nós temos que seguir a pé.

 

Continuamos trilha a dentro em meio a mata fechada. Desta vez o caminho não é difícil. Por causa dos troncos finos, típicos de uma vegetação jovem, e do espaçamento que existe entre uma árvore plantada e outra, dá pra perceber que se trata de uma mata secundária. Como a área é particular, provavelmente essas terras já foram exploradas para algum fim comercial.

 

Depois de subidas e descidas e de passarmos por alguns obstáculos, atingimos o nosso objetivo: uma das muitas nascentes do Rio Paraíba.

Rio Paraíba do Sul é tema de série (Foto: Reprodução/TV Rio Sul)

Instituto Geográfico e Cartográfico de São Paulo

expediu a certidão (Foto: Reprodução/TV Rio Sul)

 

É aqui, onde a água é cristalina que tudo começa. A principal nascente de um rio é medida pela maior distância com a foz, e essa é a nascente mais distante da foz, no Oceano Atlântico. No dia 13 de abril de 2006, o Instituto Geográfico e Cartográfico de São Paulo expediu a certidão que atestou essa nascente como a principal.

 

O Harold, nosso guia, tava lá no dia. "Nós tivemos aqui junto com várias pessoas. Inclusive veio até um carro da polícia militar veio junto, entendeu. Fotografamos e tudo mais. Teve fotógrafo e viemos ver na realidade, porque eu era a primeira vez que tava vindo conhecer essa nascente, que eu não conhecia", contou Harold Sidney Zwerner Junior, guia.

 

Mas, não é todo mundo que convece o Harold a dizer o caminho para chegar até aqui, não. "Eu fico preocupado por vir aqui, sujar tudo, pisa na nascente... Tem pessoas que não sabem, não se ligam pra esse tipo de coisa, né?! Então você tem que tomar cuidado com isso", explicou.

 

"Preservar a mata é tão importante quanto preservar a mata?", pergunta o repórter para a vice presidente do Comitê para a Bacia do Rio Paraíba do Sul. "Com certeza. Uma coisa está totalmente ligada a outra. Porque as matas elas que vão ajudar nessas áreas de recargas. E nós passamos, viemos pela estrada totalmente acidentadas, totalmente descampadas, você via o processo do solo, aí você vai ter o processo de erosão, então a mata além dela ter esse frescor, essa umidade que a gente tá sentindo aqui como se tivesse numa espécie de um ar condicionado, a mata é responsável por esse ambiente fresco, ela também é responsável pela questão das recargas dos aquíferos. E é isso que a gente tem que aprender a respeitar. Então, sem mata não existe água", respondeu Vera Lúcia Teixeira.

 

Como um coração, a água pulsa calmamente enquanto brota da terra. Depois que todas as nascentes e todos os afluentes se juntam, o Paraíba do Sul alcança uma área de 57 mil quilômetros quadrados, ao longo de mais de 1.100 quilômetros de extensão. E para essa água toda viajar tudo isso precisa de muita força. Você já imaginou o quanto de energia dá pra formar com isso tudo?

http://g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/2015/08/rio-paraiba-do-sul-e-tema-de-serie-especial-da-tv-rio-sul-parte-1.html

 

25-08-2015