Seminário debateu Reúso da Água em Minas Gerais



O Crea-Minas e a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental de Minas Gerais (Abes-MG) realizaram o Seminário Mineiro de Reúso da Água. O evento, realizado no plenário do Crea-Minas, foi marcado pelo lançamento da Câmara Temática de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e ainda falou sobre diversas experiencias de sucesso de reutilização da água na agricultura, indústria e outras finalidades.

 

No painel de abertura, Reúso de água e esgoto atual e propostas do Seminário Internacional de Reúso de 2015, o engenheiro civil e sanitarista Américo Sampaio, coordenador de Saneamento da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídrico falou sobre os desafios da crise hídrica em São Paulo e a situação do reúso de água no estado. O engenheiro falou da importância das discussões sobre o reúso e avaliou que este deve passar por revisões e melhorias. “Ainda não dá para cobrir os custos do reúso de água, uma ferramenta tão necessária em tempos de crise hídrica. Precisamos, então, procurar formas de aprimorá-lo cada vez mais”, disse.

 

Após a palestra, a engenheira civil e sanitarista Célia Rennó, presidente da Abes-MG, mediou o primeiro debate. Participaram da mesa Américo Sampaio, o supervisor de fiscalização do agronegócio do Crea-Minas, engenheiro agrônomo Emílio Mouchrek e o deputado estadual Iran Barbosa, que preside a Comissão Extraordinária das Águas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Na ocasião, os participantes falaram sobre a crise hídrica em Minas Gerais e avaliaram sua gravidade. “Pode não parecer, mas vivemos em Minas uma situação mais complicada que em outros locais”, apontou Iran. Também foram avaliadas as possíveis ações para que a crise seja superada.

 

Legislação e Regulação

 

O segundo painel, que teve como tema Legislação e Regulação do Reúso da Água, foi comandado pelo coordenador das Câmaras Temáticas Oswaldo Dehon e contou com três palestrantes, o diretor de pesquisa desenvolvimento e monitoramento das águas do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Marley Caetano de Mendonça; o analista máster de saneamento da Copasa, engenheiro civil e sanitarista Aníbal de Oliveira Freire; e a presidente da Abes-MG, engenheira civil e sanitarista Célia Rennó.

 

Marley defendeu o reúso de água e falou sobre a legislação do setor. “Das cinco modalidades de reúso, só uma está regulamentada a nível nacional. Não existe regulamentação estadual”, explicou. Para o diretor do Igam o reúso da água se torna cada vez mais uma necessidade. “A crise hídrica demanda uso alternativo das águas”, concluiu.

 

Já Aníbal de Oliveira Freire apresentou as novidades do II Simpósio Internacional de Reúso de Água, que aconteceu no Paraná. O engenheiro analisou a situação do nosso continente quanto ao recurso água. “A disponibilidade de água na América Latina é mais favorável do que no resto do mundo”, afirmou. Aníbal também trouxe informações sobre o reúso de água em várias partes do mundo, como Cidade do México e Sidney.

 

A presidente da Abes-MG, Célia Rennó, fez uma análise da situação brasileira quanto ao tema. “Temos que construir algo mais consistente na nossa legislação a partir desses exemplos apresentados aqui”, afirmou. A engenheira deu início ao debate sobre a legislação acerca de reúso de água, que finalizou as atividades do painel.

 

Antes do terceiro painel aconteceu o Momento Tecnológico, onde o engenheiro metalurgista Luiz Alberto Teixeira falou sobre as aplicações e implicações do uso de peróxido de hidrogênio no reúso de água, apontando as vantagens do elemento.

 

Realidade e tendências

 

O terceiro painel debateu a Realidade e tendências no reúso da água e efluentes e finalizou as discussões do dia. A mesa foi coordenada pelo engenheiro civil Vitor Queiroz e teve como palestrantes o gerente de produção sustentável da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Antônio Augusto Melo Malard; o gerente de planejamento e monitoramento ambiental da prefeitura de Belo Horizonte, engenheiro civil Weber Coutinho; além do gerente da Superintendência de Serviços e Tratamento de Efluentes (SPSE) da Copasa, Eugênio Alvares de Lima e Silva; e da engenheira civil Maria Alice Martins Judice, também da SPSE da Copasa.

 

Antônio Malard apresentou o banco de boas práticas ambientais, com exemplos de empresas com sistemas de reúso de água. É o caso da Revest, empresa da área de beneficiamento de quartzito, que reduziu o consumo de água de dez mil litros para apenas mil, após adotar a prática do reúso. Para Malard, a crise hídrica trouxe também um aspecto positivo. “Se não tivéssemos a crise hídrica, provavelmente a discussão não seria a mesma”, afirmou.

 

O engenheiro civil Weber Coutinho falou dos efeitos dos processos de mudanças climáticas e da resposta dada a eles pela prefeitura de Belo Horizonte. “BH foi a primeira cidade a elaborar um inventário municipal de gases de efeito estufa”, explicou. Eugênio Alves falou sobre as iniciativas da Copasa quanto ao tratamento de esgoto e conscientização da população quanto ao tema. Para ele ainda falta divulgação da importância da rede de esgoto. “As pessoas não dão valor ao sistema de esgoto, não sabem para onde vai a água depois da descarga”, afirmou. A engenheira civil Maria Alice Judice finalizou o painel apresentando a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Ibirité, uma ETE totalmente sustentável.

 

Reúso agrícola

 

No segundo dia do Seminário foi apresentado o painel Experiências de Reúso em Minas Gerais – Agrícola e Industrial. Dividido em duas partes, o debate foi aberto com a discussão sobre o reúso agrícola. Coordenado pelo engenheiro civil e sanitarista da Copasa Aníbal de Oliveira Freire, a primeira parte do debate contou com a apresentação do engenheiro agrícola e professor das universidades federais de Minas Gerais e Viçosa Antônio Matos. Na palestra Aproveitamento agrícola de efluentes, o professor destacou a diferença da irrigação, que tem por objetivo o fornecimento de água, e a fertirrigação, que aproveita efluentes na adução do solo.

 

Em seguida, o engenheiro agrônomo Marcos Koiti Kondo, professor da Unimontes, falou sobre A experiência de reúso de efluentes no Norte de Minas. O trabalho apresentando envolveu principalmente o cultivo de bananas, obteve resultados muito positivos.

 

Ainda sobre o reúso de efluentes, o engenheiro agrônomo Guilherme Oliveira, do Sistema Faemg, mostrou a experiência positiva e o potencial produtivo dos sistemas agrosilvopastoris com um case de suinocultura. Ele ressaltou a necessidade de assistência técnica para orientar a reutilização de esgoto em pastagens, e como é possível aumentar a produtividade.

 

Nesta etapa, o último palestrante foi o supervisor de fiscalização do agronegócio do Crea-Minas, engenheiro agrônomo Emílio Mouchrek, que abordou o tema Reúso de efluentes na agricultura – a visão do Crea-Minas. Na oportunidade, Emílio destacou as etapas do trabalho do responsável técnico e o papel do Crea na verificação da atribuição profissional, Anotação de Responsabilidade Técnica e fiscalização do exercício profissional. “É papel do Conselho garantir à sociedade que as atividades técnicas sejam realizadas por profissionais legalmente habilitados”, finalizou Mouchrek.

 

Como parte da programação, foi apresentado um breve histórico sobre a Tecnologia de Membranas viabilizando o reúso da água pelo engenheiro Gardênio Rafaneli, da empresa Acqua4life.

 

Reúso industrial

 

Para coordenar o debate sobre o reúso na indústria, o evento contou com Normando Leite, que faz parte da equipe das Câmaras Temáticas do Crea-Minas. A primeira apresentação foi sobre A experiência da Odebrecht Ambiental no reúso da água. A apresentação foi feita pelo químico industrial e gerente de operações e novos negócios da empresa Eduardo Pessoa. “O planejamento é fundamental para a implantação do reúso. É preciso ter garantia de que aquela planta será utilizada por muito tempo para investir em tecnologia de reúso e nós temos feito isso”, destacou.

 

A segunda apresentação sobre reúso na indústria ficou a cargo do engenheiro Cristiano Félix, da Fiat. Ele ressaltou o sucesso da experiência na unidade de Betim e o papel dos colaboradores no processo de reúso e economia de água.

 

Já o engenheiro de processos de água e efluentes Lucas Meira, da Vallourec, contou a experiência e o empenho da empresa na economia de água. “A Vallourec busca aperfeiçoas os processos para diminuir o consumo. Assim como a Fiat, a participação de nossos colaboradores é fundamental para o sucesso dessas ações”, afirmou.

 

A última palestra ficou a cargo do engenheiro agrônomo Wagner Soares Costa, gerente de Meio Ambiente da Fiemg. “A água é fundamental para a indústria. Seria muito melhor uma indústria seca, mas isso não é possível”, enfatizou. Wagner destacou que as indústrias têm que cuidar da gestão da água pois ela significa grande parte do custo e por isso o reúso é fundamental.

 

No encerramento dos trabalhos, a engenheira civil e sanitarista Célia Rennó, presidente da Abes-MG, falou da importância de se fazer uma construção de soluções para o reúso. “É um compromisso nosso traçar uma diretriz para essa questão”, finalizou.

 

Já o coordenador das Câmaras Temáticas do Crea-Minas Oswaldo Dehon destacou a importância do reencontro do Crea-Minas com a Abes-MG, ​a qualidade técnica e profundidade com que o tema foi tratado no Seminário.

 

Fonte: Portal Crea-MG

19-06-2015