Em pouco mais de um mês, Copasa vai determinar ações restritivas



As decisões sobre a cobrança de sobretaxa dos consumidores que não economizarem água e a implantação de racionamento devem ser tomadas em julho, de acordo com técnicos da Copasa. A adoção das medidas dependerá do comportamento de consumo no período seco.

 

As chuvas, a redução de 15% do uso de água feita pela população e as manobras da empresa determinaram o adiamento da aplicação de tarifa de contingência. Porém, a presidente da Copasa, Sinara Meireles, afirma ser fundamental a queda de 30% no consumo do recurso. “O período de estiagem vai comprometer o abastecimento humano e terá reflexos na economia da região metropolitana”.

 

Sinara alertou sobre a situação dos reservatórios que integram o sistema Paraopeba (Serra Azul, Rio Manso e Várzea das Flores), que têm hoje 105 milhões de metros cúbicos de água. “Nessa época do ano, dentro da média histórica, esse volume é superior a 200 milhões de m³ de água acumulada, mas vamos entrar no período de estiagem com menos da metade”.

 

Normas

 

As regras para que as prestadoras de serviço (como a Copasa) adotem ações restritivas na capital e cidades vizinhas já estão definidas pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário (Arsae-MG), na resolução 68/2015, publicada nesta sexta-feira (29) no Diário Oficial do Estado.

 

Para impor o racionamento, o prestador deverá comunicar a condição à Agência e elaborar um Plano de acionamento por cidade.

 

Presidente da Arsae-MG, Antônio Caram Filho explicou que “o objetivo da norma é proteger o consumidor e garantir que as medidas de racionamento, se forem tomadas, sejam transparentes e não deixem quem mais precisa sem abastecimento”.

 

Alerta

 

Para o professor do departamento de engenharia hidráulica e recursos hídricos da UFMG Nilo de Oliveira Nascimento, as pessoas parecem mais conscientes dos riscos de desabastecimento. “Acho que não ocorreria pânico no caso de racionamento, mas a iniciativa de reservar água é problemática do ponto vista da qualidade e de enfermidades, como a dengue”.

 

Nascimento considera importante o trabalho continuado de esclarecer e informara população, para garantir a economia de água e evitar iniciativas de armazenar o recurso em casa, o que, segundo ele, são naturais.

 

Programa Cultivando Água Boa é apresentado a municípios da bacia do rio Paraopeba

 

Um dos principais produtores de hortifrutigranjeiros do estado, Igarapé foi a primeira cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte a aderir ao programa Cultivando Água Boa. Trata-se de uma iniciativa socioambiental desenvolvida pela Itaipu Binacional para promover a recuperação de microbacias e proteger matas ciliares e a biodiversidade. O município contribui com 45% do volume de água do Sistema Serra Azul, por meio do córrego Estiva, cuja bacia ocupa 3.200 hectares.

 

Prefeitos de municípios localizados na bacia do Paraopeba e que possuem concessão da Copasa participaram nesta quinta-feira (28), em Igarapé, do evento de apresentação do programa, reconhecido pela ONU como a melhor política de gestão de recursos hídricos do mundo.

 

O governo estadual aposta nesse trabalho, que envolve a parceria entre diversos órgãos. “Seja na preservação dos mananciais, no controle do assoreamento, da poluição, no uso da terra nas propriedades rurais e em todas as ações, é perceptível a contribuição de cada um enquanto cidadão ou instituição”, destacou a presidente da Copasa, Sinara Meireles.

 

Conscientização

 

O prefeito de Igarapé, José Carlos Gomes Dutra, lembrou que a cidade desenvolve ação semelhante desde 2013: o Guardião dos Igarapés. “Sabemos da importância da preservação dos recursos hídricos, principalmente em meio a uma das mais graves crises enfrentadas no Sudeste”.

 

O diretor de Operação Metropolitana da Copasa, Rômulo Perilli, destacou que o Cultivando Água Boa envolve a melhoria da qualidade e a quantidade da água por meio de cuidados com o solo, alimento, saúde e educação. A apresentação do programa foi feita pelo diretor de coordenação e Meio Ambiente da Itaipu Binacional, Nelton Miguel Friedrich. “A questão da água está na centralidade dos desafios da humanidade e, em um momento de crise, temos de construir um consenso ético mínimo para conseguirmos articular ideias e alcançar resultados estruturantes”.

 

“Não há racionamento à vista. Não houve nenhum pedido nesse sentido para a RMBH” Antônio Caram Filho - Presidente da Arsae-MG

29-05-2015