População relaxa e economia de água fica menor em abril



O apelo da Copasa para que a população economize 30% no consumo de água está cada vez mais longe de ser atingido. Isso porque, no último mês, os consumidores da região metropolitana de Belo Horizonte relaxaram mais e reduziram apenas 11% o uso da água, em relação ao mesmo período de 2014. Em março, a economia registrada foi maior: 16%. A informação foi divulgada ontem pelo diretor financeiro da empresa, Edson Machado Monteiro, durante teleconferência com investidores sobre o balanço do primeiro trimestre de 2015 da companhia. Esse índice de abril voltou a ficar próximo ao de fevereiro, quando a queda do consumo ficou em 9,4%.

 

Se antes a empresa considerava ‘imprescindível’ que a população da capital e região economizasse pelo menos 30% de água para evitar medidas de racionamento e rodízio, agora a diretoria da Copasa parece ter revisto essa decisão, após o resultado financeiro da empresa, cujo lucro líquido teve queda de 85,9% no primeiro trimestre deste ano em virtude da redução do consumo. Segundo Monteiro, se os níveis de consumo forem mantidos e com os volumes do Sistema Paraopeba na casa dos 38,8%, como registrado ontem, o abastecimento de água está garantido à população até o período de chuvas, previsto para novembro. “Estamos monitorando diariamente os volumes dos reservatórios Rio Manso, Várzea das Flores e Serra Azul. Se mantivermos esses níveis, passaremos pelo período seco sem necessidade de racionamento”, garantiu o diretor.

 

Já a sobretaxa ainda é uma possibilidade, segundo afirmou a presidente da Copasa, Sinara Meirelles, que também respondeu a perguntas dos investidores e analistas de mercado. “Adiamos a adoção da sobretaxa para este mês, porque a metodologia precisou ser reavaliada e mais adequada. No entanto, a agência reguladora de água é que tem competência para fixar essa tarifa”, informou a presidente.

 

A diretoria da Copasa também admitiu que há um estudo interno para pedir à Agência Reguladora de Serviços de Água e Esgotamento Sanitário (Arsae-MG) uma revisão tarifária, cujo reajuste autorizado este ano foi de 15,04%. “Estamos avaliando um melhor momento para fazer esse pedido, mas esse estudo não está pronto e nem está previsto para ser feito por agora”, disse Edson Monteiro Machado. No entanto, o diretor financeiro confirmou que há uma defasagem na tarifa cobrada pela companhia, já que em 2009 não houve nenhum aumento e as despesas continuaram crescendo.

 

DESPERDÍCIO. O balanço do primeiro trimestre da Copasa mostrou que o desperdício de água em Minas caiu 5,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2014, o desperdício de água com vazamentos e gatos (água não convertida em receita) foi de 237,69 litros/ligação/dia. Em 2015, a perda foi reduzida para 224,49 l/ligação/dia. Os índices já estão menores do que a média de desperdício nacional de água, que no ano passado estava em 366, 86 l/ligação/dia. Em 2014, a média da Copasa de perdas foi de 230,84 l/ligação/dia e, em 2013, de 236,48 l/ligação/dia. A Copasa não comentou se essa redução está ligada ao programa Caça-Gotas.

19-05-2015