Chesf é multada em R$ 650 mil por causar dano ambiental ao rio São Francisco



O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) autuou a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) em R$ 650 mil por causar danos ao rio São Francisco. Uma mancha de poluição atingiu 34 quilômetros. Durante oito dias, o fornecimento de água foi cortado em nove municípios.

 

De acordo com o IMA, a mancha negra foi causada pela proliferação excessiva de algas decorrente da liberação de sedimentos no rio, após esvaziamento de um dos reservatórios administrados pela Chesf. Ainda segundo o órgão, os sedimentos vazaram no dia 22 de fevereiro, durante esvaziamento do lago Belvedere, na barragem de Xingó, mas a mancha só foi percebida no começo de abril. Técnicos do Instituto asseguram que os sedimentos estavam acumulados no lago há cerca de 30 anos.

 

Uma das soluções para o problema seria aumentar a vazão no rio, o que dispersaria a matéria orgânica. Mas devido à seca que assola o país, os reservatórios já estão baixos e usar a sua água colocaria em risco a geração elétrica. Ao contrário, a empresa quer reduzir ainda mais a vazão no Velho Chico e para isso já obteve autorização especial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Falta agora o sinal verde da Agência Nacional de Águas (ANA).

 

Além da multa, a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) anunciou que pretende pedir ressarcimento à Chesf de R$ 500 mil por perdas durante o desabastecimento forçado.

 

Em comunicado, a Chesf se defende das acusações e afirma que vai recorrer da multa. "A Chesf entende que a mancha causada pela alga Ceratium furcoides, que surgiu no reservatório de Xingó, é resultado de desequilíbrio ambiental, provocado por uma serie de fatores, não originados pela atuação da Companhia."

05-05-2015