Uso do ar-condicionado deve 'explodir' e elevar poluição, diz estudo



O uso de ar-condicionado pode aumentar drasticamente até o final deste século em todo o mundo, o que deve aumentar a demanda por eletricidade e provocar uma elevação no envio de poluentes para a atmosfera a níveis sem precedentes.

 

Os dados são de uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (27) na revista da Academia Americana de Ciências ("PNAS).

 

Refrigeradores e condicionadores de ar liberam gases hidrofluorcarbonos (HFC), que podem ser milhares de vezes mais potentes do que o dióxido de carbono (CO2) em prender gases de efeito estufa na atmosfera, apontados como responsáveis pelo aquecimento global.

 

Apenas um sutil aumento na renda leva muitas pessoas a comprar o equipamento para melhorar sua qualidade de vida em países tropicais e subtropicais de clima quente, onde vivem cerca de três bilhões de pessoas.

 

Usando dados de 25 milhões de clientes de eletricidade no México para criar um modelo do que pode estar por vir para o resto do mundo, os pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, mostraram que um aumento anual de 2% da renda familiar, combinado às previsões de escalada nas temperaturas devido às mudanças climáticas, poderiam levar a um uso quase universal de ar-condicionado.

 

"Com base em pressupostos modestos sobre o crescimento da renda, nosso modelo implica que a fração de lares com refrigerador de ar vai aumentar dos 13% que temos hoje para mais de 70% até o final do século", disse o estudo.

 

"Estas são grandes mudanças, que implicam em um aumento de US$ 3 bilhões ou mais nas despesas de energia elétrica anuais e um aumento anual de 23 milhões de toneladas em emissões de CO2", explicou o estudo, liderado por Lucas Davis da Haas School of Business da UC Berkeley.

 

"Nossos resultados apontam para os enormes impactos globais do [uso de] ar-condicionado. Nós encontramos grandes aumentos no consumo de energia elétrica em dias quentes, com praticamente nenhum impacto de compensação de aquecimento reduzido em dias frios", acrescentou.

 

Países com maiores demandas

Em uma loja de ar condicionado, a venda já aumentou 10% em relação a 2010 (Foto: Lynne Aranha / G1 Itapetininga)

Loja de ar-condicionado no interior de São Paulo

(Foto: Lynne Aranha / G1 Itapetininga)

 

Quase 90% dos lares nos Estados Unidos têm condicionadores de ar. Em comparação, a Índia tem quatro vezes a população dos Estados Unidos, mas também mais de três vezes o número de dias quentes, tornando a demanda total do país por ar refrigerado 12 vezes maior do que nos Estados Unidos.

 

"O uso ainda é relativamente incomum na Índia e em outros países de baixa renda, mas isso está prestes a mudar drasticamente com o aumento da renda em todo o mundo", pontuou o estudo.

 

As nações com o maior potencial para aumentos no uso desses equipamentos são Bangladesh, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Tailândia, Estados Unidos e Vietnã.

 

Os pesquisadores observaram que as vendas de aparelhos em todo o mundo já "explodiram" nos últimos anos, com a China comprando até 64 milhões de unidades em 2013, mais de oito vezes do que foram vendidos nos Estados Unidos.

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu uma redução nos HFCs como parte de seu Plano de Ação Climática, e o departamento de Energia norte-americano anunciou na semana passada US$ 8 milhões em subsídios para o desenvolvimento novas tecnologias mais amigas do meio ambiente em termos de ar-condicionado.

30-04-2015