Cápsula ecológica transforma pessoas em árvores após a morte



Se pudesse, qual árvore seria? Pois agora você pode se transformar em um belo ipê, uma quaresmeira ou um fícus centenário após morrer. Estamos falando do projeto Capsula Mundi, criado pelos artistas italianos Ana Citelli e Raoul Bretzel e que coloca fim aos tradicionais cemitérios, transformando-os em florestas sagradas.

 

O projeto consiste em uma cápsula orgânica e biodegradável que é capaz de transformar um corpo em decomposição em nutrientes para uma árvore. A Capsula Mundi é um caixão em forma de ovo, feito de plástico biodegradável, em que o cadáver é colocado na posição fetal. A cápsula é plantada no solo como uma semente.

 

"Acima da cápsula uma árvore escolhida pelo morto ainda em vida é plantada e cresce, sinalizando a sua presença naquele local. O lento processo de mineralização do ovo, junto ao processo de crescimento da árvore, faz com que os restos mortais se integrem ao infinito ciclo biológico da vida. Dessa forma, a morte assume um novo significado, não é mais considerada uma interrupção do processo de vida, mas sim o início de uma série de transformações que nos reintroduzem no ciclo natural", explica Raoul.

 

Segundo os artistas, a cápsula pode abrigar tanto as cinzas quanto o corpo da pessoa. "Isso vai depender da escolha do cliente. Cada cápsula será personalizada para atender um desejo individual. Por isso não podemos precisar o valor das cápsulas, mas podemos adiantar que seu custo equivale a um caixão tradicional. A urna ecológica é acessível a todas as camadas sociais", observa Anna. De acordo com ela, o momento é de transição da produção artesanal para industrial. "Isso vai levar um tempo, mas, antes do verão, vamos estar totalmente prontos para atender a enorme demanda que temos", ressalta.

 

"Por meio do plantio de diferentes tipos de árvores, uma ao lado da outra, vamos criar uma floresta. Um lugar onde as crianças poderão aprender tudo sobre árvores. É também um lugar para um belo passeio e de reverência aos entes queridos", propõe Anna.

28-04-2015