Governo de Minas pretende mudar projeto da Cidade das Águas



Se metade do dinheiro do Governo do Estado investido na chamada Cidade das Águas, em Frutal (Triângulo Mineiro), tivesse sido destinado às universidades, seria possível realizar as mesmas pesquisas feitas. A outra metade daria para ampliar o Sistema Rio Manso, que atualmente abastece 28% dos bairros da Região Metropolitana de Belo Horizonte, obra que tem sido apontada como essencial para evitar o desabastecimeno de água na região. Foram essas as conclusões apresentadas pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais e presidente da Cidade das Águas Unesco-Hidroex, Miguel Corrêa Júnior, durante reunião da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada na manhã desta quinta-feira (23/4/15).

 

A Cidade das Águas, que começou a ser construída em 2012, é um complexo de mais de 1 milhão de m², que atualmente está em fase final de implantação no município de Frutal. O local sediaria laboratórios de alta complexidade, bibliotecas, auditórios, escritórios, salas de aula, alojamentos e restaurantes.

 

Toda a estrutura seria destinada ao estudo dos recursos hídricos e à busca de requalificação no uso das águas. O local seria destinado a se tornar um centro internacional de pesquisa, com foco nos países de língua portuguesa, e é uma iniciativa que envolveu os governos estadual e federal e conta com a chancela da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

 

O deputado Paulo Lamac (PT), presidente da comissão e autor do requerimento que deu origem à reunião, explicou que, no fim do último ano, foi feita uma reunião de alguns parlamentares da última legislatura com representantes da Unesco e percebeu-se que a instituição detinha muitas informações que não estavam disponíveis para os parlamentares e para a população.

 

A audiência solicitada por ele e realizada nesta quinta (23) teria o objetivo de esclarecer o projeto. “A população de Minas Gerais, que financia o projeto, lamentavelmente não dispõe de informações sobre ele”, disse. Os deputados Ivair Nogueira (PMDB) e Cristina Corrêa (PT) concordaram e salientaram a importância de uma gestão transparente.

 

Secretário de Estado considera que projeto foi superestimado

Miguel Corrêa Júnior acha que existem distorções no projeto Miguel Corrêa Júnior acha que existem distorções no projeto - Foto: Pollyanna Maliniak

 

Ao falar da Cidade das Águas, o secretário de Estado Miguel Corrêa Júnior defendeu a continuidade na busca dos seus objetivos iniciais, ligados à excelência na educação, capacitação e pesquisa aplicada na área de recursos hídricos. Ele salientou, porém, que a Cidade das Águas não tem cumprido esse objetivo e é preciso reestruturar o projeto.

 

De acordo com Corrêa, foi feita uma pesquisa em Frutal e a maioria dos moradores sequer conhece ou entende o que é a Cidade das Águas. “Temos discutido o assunto com reitores de universidades públicas e essa não é a proposta deles, o que escutamos é que as universidades estão preparadas para realizar as pesquisas em suas unidades e precisariam de muito menos dinheiro para isso. A Cidade das Águas é um projeto voltado para o mundo acadêmico que nem o próprio mundo acadêmico abraça”, disse.

 

O secretário salientou que, na sua opinião, existem distorções no projeto. “Nem se levássemos todos os pesquisadores da América Latina que trabalham com a questão dos recursos hídricos para a Cidade das Águas seríamos capazes de encher os 700 alojamentos”, afirmou. Ele falou, ainda, que foi adquirido um equipamento chamado “sala de imersão” (uma espécie de sala multimídia), que ainda não foi foi instalada. Os equipamentos estariam encaixotados e guardados em um lugar onde correm o risco de serem atingidos pela chuva. “O equipamento está quase perdendo a garantia e não foi sequer instalado”, disse.

 

Segundo ele, a atual gestão não abrirá mão de todo o equipamento público já construído e vai focar esforços no aprofundamento das ações de pesquisa e de requalificação do uso da água, mas é necessário reconfigurar o projeto. Ele afirmou que a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior já iniciou diálogo com entidades privadas para encontrar a melhor forma de fazer isso, mas ainda não pode revelar quais seriam essas entidades, já que ainda não há nenhum acordo concretizado.

 

O deputado Professor Neivaldo (PT) disse que seria importante ouvir o ex-secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antônio Rodrigues Elias, que teria acompanhado as emendas feitas ao orçamento que destinaram recursos para a Cidade das Águas. Por isso, apresentou requerimento solicitando que fosse realizado uma reunião da comissão para ouvi-lo. O requerimento foi aprovado junto a outro que solicita uma visita à Cidade das Águas para conhecer a estrutura do local.

 

Requerimentos – Também foram aprovados requerimentos para a realização de outra audiência pública e de uma visita da comissão. A audiência, solicitada pelo deputado Professor Neivaldo, deve ser realizada em Uberlândia e tratar da reforma da grade curricular do Ensino Médio. Já a visita foi um pedido do deputado Cássio Soares (PSD) para que os parlamentares conheçam as instalações da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), em Passos (Sul de Minas), destinadas a receber o curso de medicina.