Lago no Taquaraçu preocupa



A forma como o governo de Minas Gerais vem conduzindo a gestão dos recursos hídricos tem desagradado o setor ambiental no Estado. Exemplo disso são algumas das obras previstas para solucionar a crise de falta de água na região metropolitana de Belo Horizonte, como a construção de um novo reservatório na bacia do rio das Velhas, a transposição das águas do rio Paraopeba para o sistema rio Manso, além da criação da força-tarefa do Sistema Estadual do Meio Ambiente (Sisema).

 

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) confirmou que estuda a viabilidade de explorar o rio Taquaraçu, afluente do Velhas entre Santa Luzia e Taquaraçu de Minas, para reforçar o abastecimento de água. No entanto, na avaliação do presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, uma barragem no Taquaraçu para reserva de água é preocupante e pode levar a um equívoco no diagnóstico do problema.

 

“Gerir o rio não é pensar em reservação, mas em toda a complexidade desse organismo vivo. Esse afluente dá força e contribui com a limpeza do Velhas,”, diz, lembrando que o Velhas, por sua vez, alimenta o São Francisco. “O Taquaraçu é uma bacia de 31 km, e tem um território pequeno para uma barragem de porte. Essa medida vai fazer com que fiquemos ainda mais dependentes da chuva, muito específica naquela área, para ter um nível de reservação capaz de alimentar a capital”, avalia o especialista.

 

Polignano critica ainda o fato de que o comitê não foi procurado para participar dos estudos desse projeto da Copasa. Ele cita que o governador Fernando Pimentel (PT) assinou junto aos comitês de bacia e outras entidades um pacto pelas águas, prometendo um diálogo maior com os envolvidos no problema. “Essa possibilidade (da barragem no Taquaraçu), está na contramão daquilo que, de certo modo, tinha sido acordado”, lamentou.

 

Polignano questiona também por que não foi decretada a escassez hídrica na bacia do rio das Velhas. Segundo ele, entre a capital e Ouro Preto já deveria haver restrição de uso decretada, como no sistema Paraopeba. “Temos de resolver o conflito de uso da água, porque existem atividades econômicas e de abastecimento que tiram do rio mais do que ele pode dar”. Em nota, o Igam informou que ainda não está previsto o decreto de escassez hídrica no alto rio das Velhas.

 

Raio-X do Velhas

 

Municípios

 

51 cidades são abastecidas pela bacia do rio das Velhas

 

Outorgas

 

Existem 1.496 licenças vigentes, sendo que, desse montante, 243 são para uso das águas superficiais e 1.252 para águas subterrâneas

 

Captação

 

Belo Horizonte já retira desse trecho do rio das Velhas cerca de 7 m³ por segundo de água

 

Abastecimento

 

Essa retirada corresponde a hoje a 60% do abastecimento da população de Belo Horizonte

15-04-2015