Dessalinização e transposição de rios são tecnicamente viáveis



Aumentar a disponibilidade de água potável é uma das formas de tentar reverter o quadro da crise hídrica na região Sudeste. A dessalinização, antes impensável para o país, já começa a se tornar viável. No mês passado, o governador do Amazonas, José Melo (PROS), propôs um estudo sobre a viabilidade de se transportar água do Norte para abastecer o Sudeste.

 

Para especialistas, porém, a melhor opção para a região ainda é revitalizar a água que já está aqui. “O Sudeste não tem falta de água. Foram dois dezembros e dois janeiros mais secos, e a região não estava preparada. Faltou preparo e consciência”, afirma o diretor de hidrologia e gestão territorial do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Thales Queiroz Sampaio.

 

Sobre a transposição de água doce de uma região do país para outra, Sampaio diz que tecnicamente é possível. “Com cerca de 2% da vazão dos rios do Amazonas resolveríamos o problema do Nordeste e do Sudeste”, diz. Em partes do rio Amazonas, a vazão pode chegar a 700 mil m³/s. Em comparação, a vazão do São Francisco, quando cheio, é de 1.800 m³/s. “São, pelo menos, 200 mil rios São Francisco juntos”, diz Sampaio.

 

Porém, seria “uma obra de engenharia hidráulica e ambiental complexa, passaria por vários biomas”. Os custos, mesmo imensuráveis hoje, seriam altos, segundo o diretor. “Se a obra no rio São Francisco já custou em torno de R$ 8 bilhões, imagina quanto seria necessário para uma obra desta”, avalia.

 

Já a dessalinização é uma realidade mais próxima, segundo o especialista da empresa Dow, Renato Ramos. O custo para dessalinizar mil litros de água, no Brasil está, em média, US$ 1,5. “Em países como Israel, entretanto, este valor chega a cair para US$ 0,5”, explica Ramos. Porém, o especialista afirma que para Estados distantes do mar, como Minas Gerais, o melhor recurso é tratar a água do local, pelo custo do transporte. (LP)

25-03-2015