Pimentel faz novo alerta sobre risco de racionamento de água na RMBH



 

 

O governador Fernando Pimentel afirmou nesta terça-feira (3/3), durante evento com empresários que selou o “Pacto de Minas pelas Águas”, que se não houver economia e redução do consumo, a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ficará sem água dentro de quatro meses. Segundo a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), os reservatórios que abastecem a região estão em média com uma capacidade de 30% de armazenamento de água, volume que garante o consumo pleno por, no máximo, quatro meses.

 

“Se não mudarmos os hábitos de consumo, se não conseguirmos aumentar a captação, ou seja, se não chover, mantida a capacidade atual de reservação de água, vamos ter que racionar daqui a três, quatro meses”, afirmou Pimentel em pronunciamento no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

 

No fim de janeiro, o Governo Estadual pediu que os consumidores mineiros reduzissem em 30% o consumo de água para evitar o agravamento da situação hídrica. Balanço divulgado pela Copasa nesta terça-feira mostra que, em um mês, a redução do consumo no estado foi de 7,4% em comparação com o mesmo período de 2014. Na RMBH, a economia foi de 9,4%, ainda insuficiente para evitar um colapso no abastecimento da região.

 

Segundo a empresa, caso o índice atual de redução no consumo da Região Metropolitana de Belo Horizonte não alcance os 30% e o volume de chuvas de 2015 não superar o de 2014, a previsão é de que o Sistema da Bacia do Paraopeba, que abastece a RMBH, entre em colapso entre junho e julho.

 

Sobretaxa

 

Para evitar a falta de água, o governador disse que o Estado aguarda uma autorização da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae) para sobretaxar quem tiver um consumo acima da média do ano passado. “Vamos trabalhar para que não haja racionamento. O que estamos propondo é uma sobretaxa para quem gastar acima da média do ano passado. É isso que estamos discutindo com a agência reguladora e acredito que vamos ter este instrumento”, completou.

 

Segundo Pimentel, ao contrário do que ocorreu no passado, o Governo vem adotando uma gestão completamente diferente no Estado, pautado na transparência. Os dados sobre o abastecimento de água vão ficar sempre disponíveis para qualquer cidadão na página da Copasa e todas as ações que forem tomadas pelo governo serão previamente anunciadas, discutidas, negociadas e construídas a partir de consensos.

 

“Queremos, de fato, que não falte água para ninguém, mas para que isso possa acontecer todos temos de estar empenhados na mesma direção. O Pacto das Águas é um sinal importantíssimo nesse sentido. É um sinal de fato que nós, mineiros, sabemos do problema, detectamos as falhas e os erros, e sem nenhum juízo de valor, vamos corrigi-los para que não aconteça de novo. É esse compromisso que quero convidar a todos para assumirmos juntos”, afirmou o governador durante a solenidade.

 

Ações do Governo

 

Idealizado pela Fiemg, o documento Pacto de Minas pelas Águas foi entregue ao Governo do Estado pelo presidente da entidade, Olavo Machado Júnior, e traz uma série de iniciativas do setor empresarial visando contribuir para atingir da meta de redução de 30% no consumo de água, proposta pela Copasa. Em contrapartida, o setor sugere uma série de medidas a serem adotadas pelo governo para possibilitar a viabilidade dessas ações.

 

Entre as ações já adotadas pelo Governo de Minas Gerais para enfrentar a falta de água, estão a criação do site www.copasatransparente.com.br, com informações diárias sobre o nível dos reservatórios, a implantação do programa CaçaGotas, com 40 equipes de campo para combater vazamentos, a criação de uma campanha educativa na TV e na web que incentiva a promoção de novos hábitos para a redução do consumo, e a intensificação na contratação de caminhões-pipa e perfuração de poços artesianos nas regiões mais críticas no restante do Estado para atendimentos emergenciais. O Governo de Minas Gerais também trabalha em parceria com o Governo Federal para liberação de recursos, estimados em R$ 809 milhões, a serem aplicados em obras e projetos de abastecimento e gestão hídrica.

 

Finalmente, por determinação do governador, foi criada uma força-tarefa para gerir o abastecimento de água em Minas Gerais. O grupo envolve secretários estaduais e presidentes de empresas e autarquias, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). A atuação intersetorial ocorre nos encontros permanentes do grupo de trabalho, coordenado pelo secretário de Estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães.

 

Proatividade

 

O presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior, elogiou o trabalho proativo que vem sendo realizado pelo Governo de Minas Gerais e se comprometeu a participar dos esforços para a superação da crise. “Felizmente, o Governo Pimentel atua de forma inovadora, proativa e competente no combate à crise que já atinge regiões no Sul e no Sudeste do país. O novo governo prioriza a transparência no trato com usuários e consumidores, planeja e anuncia providências visando elevar a oferta de água nas diferentes regiões do Estado. Transparência e balizamento são fundamentais para evitar a falta de água”, disse o empresário.

 

Também entregaram o documento a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL-MG), Associação Comercial de Minas (ACMinas), Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Centro Industrial e Empresarial (Ciemg), Federação da Agricultura e Pecuária (Faemg), Federação das Associações Comerciais (Federaminas), Federação do Comércio (Fecomércio/MG), Organização das Cooperativas (Ocemg), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MG) e Sindicato das Empresas de Transportes de Carga (Setcemg).

04-03-2015