Minas anuncia conclusão do Plano de Energia e Mudanças Climáticas



A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, por meio da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), anunciou, nesta semana, a conclusão do Plano de Energia e Mudanças Climáticas (PEMC) de Minas Gerais para o período de 2015-2030. O documento é uma resposta do Governo do Estado aos períodos de longas estiagens e fortes chuvas que causaram impactos significativos na economia do Estado nos últimos anos.

 

O PEMC é o pontapé para que Minas reduza a vulnerabilidade às mudanças climáticas e articule as diferentes iniciativas já desenvolvidas, dentro de uma estratégia territorial integrada. As ações previstas no plano (nas áreas de Energia, Agricultura, Florestas e outros Usos do Solo, Transportes, Indústria e Resíduos) vão garantir uma redução de 17% a 20% das emissões dos gases de efeito estufa no Estado até 2030.

 

Caso as ações não sejam executadas, estimativas indicam um crescimento de cerca de 60% nas emissões e que os impactos decorrentes das mudanças climáticas para a economia estadual podem alcançar cerca de R$ 450 bilhões. “As perdas são relevantes caso nada seja feito. O clima começou a representar um risco para o desenvolvimento de Minas”, avalia o gerente de energia e mudanças climáticas da Feam, Felipe de Miranda Nunes. De 2008 a 2014, Minas já somou prejuízo de mais de R$ 12 bilhões devido aos eventos climáticos.

 

O plano torna-se ainda mais relevante se considerar que a temperatura no território mineiro deve crescer entre 2°C e 4°C no período até 2030, variando conforme a região e a estação do ano. Em cenários mais pessimistas, são projetados aumentos de temperatura ainda mais significativos, com variações médias entre 3°C e 5°C, sendo maiores no Vale Jequitinhonha, Norte e Noroeste, o que pode aumentar ainda mais as desigualdades regionais.

 

Atento a isso, os pesquisadores pensaram o plano de maneira regionalizada, com ações específicas para lidar com as diferentes especificidades e níveis de sensibilidade, exposição e capacidade de adaptação aos impactos climáticos. “O tema de energia e mudanças climáticas está no topo da política internacional e nacional e está descendo para o nível regional e local”, frisa Felipe.

 

Para o gerente, o desafio agora é debater e implementar o plano, definido como uma política público transversal e dinâmica, uma vez que envolve diversos setores e pode passar por adaptações. “Vamos debater sua implementação. Ajustes são necessários, não só com a sociedade, mas também com governos e organizações não governamentais. Temos que ter sinergia, pensar e agir em sintonia para que ações sejam eficientes”, defende Felipe.

 

 

Questão Energética

 

Em relação à questão energética, o plano sinaliza que Minas Gerais tem experimentado um forte crescimento do seu consumo final de energia, que mais que duplicou entre 1978 e 2010. Neste ano, MG importou o equivalente a 57,3% da demanda de energia de seu território. De acordo com o plano, o desequilíbrio estrutural se deve, sobretudo, às importações de carvão e de petróleo e derivados.

 

Diante deste cenário, também caracterizado pela grande dependência dos recursos hídricos para a geração de energia, o plano conclui que Minas subutiliza seu potencial de eficiência energética em seus diversos setores. Por isso, sugere a produção de energia a partir de fontes renováveis considerando opções alternativas.

 

 

Parceria internacional

 

A Feam acertou uma série de acordos de cooperação internacional com a França, entre outros parceiros, para que Minas tivesse acesso aos recursos e metodologias para elaborar o PEMC. Neste ano, a capital francesa, Paris, vai receber a Conferência Internacional sobre o Clima (COP 21) e, devido à proximidade do Estado com o país europeu, Minas deve ter um papel de destaque no evento mundial. “Esta é uma grande oportunidade para Minas Gerais mostrar ao mundo os avanços neste setor”, acredita Felipe.

 

 

Tema nacional

 

O Brasil possui, desde 2009, a Política Nacional sobre Mudança do Clima, que estabelece a meta de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020. Para a consecução da meta, o país desenvolveu, em 2012 e 2013, planos de mitigação e adaptação, com o estabelecimento de medidas a serem seguidas.

 

“Existe um esforço nacional para diminuir a emissão de gases e passamos a estudar a parcela de contribuição de Minas, considerando os riscos e as oportunidades das mudanças. Fizemos um diagnóstico e elaboramos políticas para responder a estes desafios”, comenta Felipe. O acordo foi firmado pelo Brasil, de forma voluntária, na Convenção do Clima em Copenhague. O valor percentual representa reduzir entre 1.168 e 1.259 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

25-02-2015