A Crise Hídrica e seu plano de contingência



O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo Benedito Braga esteve presente na sexta-feira,6 de fevereiro, em evento sobre a crise hídrica na FecomércioSP e afirmou “a próxima opção é um rodízio”, apesar de como técnico ser crítico dessa forma de redução de consumo, ele reconhece existir limites para a medida de redução de pressão de água nas tubulações utilizadas pela Sabesp. Não garantiu se haverá ou não o rodízio já que requer uma análise mais detalhada entretanto assegurou que se houver essa necessidade a população será avisada com antecedência e que nesse momento não possuía essa informação. O evento contou com a abertura e o encerramento do presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, o Professor José Goldemberg.

 

Braga enfatizou que a previsão de chuvas na região até maio é preocupante necessitando economizar pois é complicado trazer água de outras bacias pois são obras que demandam tempo. A economia da população gerou redução de 4,1 m³/s nos reservatórios. As campanhas de informação também serão ampliadas.

 

Segundo ele também será necessário ampliar a utilização de água de reúso nas indústrias e no agronegócio. “Vamos trabalhar forte no sentido de impedir que irrigantes não outorgados façam uso de uma água dando prioridade para o consumo humano e a dessedentação dos animais. O governo de São Paulo já estuda rever as outorgas de captação de água das indústrias que captam diretamente dos mananciais, tendo em vista o estímulo pela água de reúso.Braga ainda salientou medidas adotadas pela Sabesp no combate a crise, como a interligação de sistemas, obras emergenciais como os reforços para o Sistema Alto Tietê, o bônus para os clientes que reduzirem o consumo de água e a intensificação do combate às perdas.

Segundo ele, a Sabesp já investiu R$ 6 bilhões nessa iniciativa e reduziu as perdas de 40% para 30%. "Isso está dentro do que o mundo trabalha, não é um número ruim, mas vamos trabalhar no sentido de reduzir ainda mais essa perda, temos que perseverar no controle de perdas", afirmou.

 

O secretário também foi questionado sobre um reajuste tarifário em abril, mês em que o reajuste é calculado juntamente à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). A Sabesp pretende trabalhar com “uma estrutura tarifária progressiva”, com a finalidade de “equilibrar” suas finanças. Para que a empresa invista e aumente a capacidade de água, é necessário ter a situação financeira adequada. Esses mecanismos utilizados para a redução de consumo levaram a dificuldades de natureza financeira, porque quando você reduz a quantidade de água a receita da companhia cai, concluiu.

 

Braga foi cobrado por representantes da Fecomercio e pela população em geral sobre uma “falta de transparência” do governo paulista em relação à crise e sobre como as autoridades tratariam a “comoção popular” que se daria num eventual rodízio de água.

O secretário respondeu que não é um político, mas sim um técnico, e que o governo está fazendo o que tem ao seu alcance.

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman era um dos convidados no evento porém ele não compareceu.

11-02-2015