Movimento 'A Culpa Não É do meu Banho' fica sem lugar para 1º encontro



Após a publicação da reportagem de O TEMPO tratando sobre o movimento "A Culpa Não É do meu Banho", surgido nas redes sociais e que questiona as medidas adotadas pelo governo de Minas para combater a crise hídrica, as mais de 700 pessoas que já confirmaram presença no evento criado no Facebook acabaram ficando até no último momento sem um lugar para o primeiro encontro, que acontecerá no próximo sábado (7).

 

Somente nesta sexta-feira (6) ficou decidido que o encontro acontecerá no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG), na avenida Álvares Cabral, 1.600, no bairro Santo Agostinho, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O encontro acontecerá no mesmo horário marcado anteriormente, entre 9h30 e 12h30.

 

De acordo com o idealizador do movimento, o ambientalista Apolo Heringer, ele conseguiu a autorização para fazer o primeiro encontro na Casa Fiat de Cultura, na praça da Liberdade, na última segunda-feira (2). "Procurei várias pessoas pedindo ajuda para encontrar um espaço adequado. Entre elas, a minha amiga Maria Elvira conseguiu contato com o secretário de cultura, Ângelo Oswaldo, que nos garantiu um horário lá no antigo Palácio dos Despachos", explicou.

 

O organizador do evento viajou para Brasília e, na quarta-feira (4), recebeu uma ligação da amiga explicando que não seria mais possível se reunir no espaço porque, após lerem a entrevista dada por ele, autoridades acreditaram que se trataria de um movimento com cunho político contra o atual governo. "Acontece que a crise é consequência da gestão anterior. Mas se o atual governo também não discute com a sociedade fica complicado. A crítica não é contra o governo, a crítica não passa do cumprimento da nossa liberdade de debater o assunto", defendeu Heringer.

 

Para o ambientalista, o ocorrido demonstra que o espaço físico, antes público, agora foi privatizado e partidarizado. "Isso pode acabar sendo pior para eles. Já convocamos as pessoas e acreditamos que pelo menos 150 estejam de fato presentes. Se até lá não tivéssemos arranjado um auditório próximo dali, seríamos forçados a nos encontrar ali mesmo em frente à Casa Fiat de Cultura", afirmou o ambientalista.

 

O objetivo do movimento, na verdade, ainda conforme Heringer, é debater soluções melhores para os problemas que estamos enfrentando. "Não é culpa da falta de chuva. O problema é que mineradoras e indústrias estão explorando as nossas águas e não são cobradas da forma como deveriam. O pedido de economia e ameaça de multa está sendo para o povo, como se o banho fosse o culpado. O movimento é apartidário e só quer debater. Não somos um movimento político", defende.

 

"Não fui pressionado por nenhuma autoridade"

 

Em entrevista, o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo Lima Pereira, explicou que na verdade houve um mal entendido e que não houve pressão de ninguém para cancelar o evento. "Recebi uma solicitação da secretaria de cultura para cedermos o espaço para um evento interno com ambientalistas sobre o problema da água. Não só autorizamos como abrimos mão da taxa que geralmente é cobrada quando o evento não é nosso", disse.

 

Após ver nas redes sociais a reportagem, o presidente viu as declarações de Apolo Heringer e descobriu que o evento ao qual ele concedeu autorização tratava-se na verdade de um lançamento de um movimento questionando a política ambiental hídrica do governo do Estado. "Imediatamente conversei com o secretário e com minha amiga pessoal, Maria Elvira, explicando que não poderia ceder. Acontece que o nosso espaço é aberto à discussão de ideias, sejam elas quais forem, mas, ao mesmo tempo, nossas normas não permitem que aconteça aqui um lançamento de um movimento político, ainda que apartidário", disse o presidente.

 

Ele afirma ter percebido que se tratava de um movimento político após acompanhar o evento no Facebook e o perfil de Heringer. "Jamais poderíamos permitir um lançamento político, assim como não pude autorizar amigos a lançarem campanha aqui. Estamos disponíveis para o Apolo fazer um debate aqui, ajudando representantes de diversos segmentos a respeito dessa questão, mas não o lançamento de um movimento", acrescentou.

 

Segundo ele, o ambientalista tem um luta e é de seu direito procurar um lugar para lançar o movimento, embora não possa acontecer no local. "Ninguém tem culpa no ocorrido. A Maria Elvira está certa em tentar ajudar um amigo, assim como o secretário de cultura em auxiliar e pedir o espaço. Houve uma série de equívocos que nos levaram à isso. Eu não fui pressionado por ninguém, por nenhuma autoridade, para cancelarmos isso", finalizou.

06-02-2015