Copasa alerta que água pode acabar totalmente até agosto na RMBH se não chover



Se o volume de chuvas na Região Metropolitana de Belo Horizonte não superar a precipitação de 2014, os mananciais podem secar completamente até agosto deste ano. O alerta foi feito pelo diretor de Operações Metropolitanas da Copasa, Rômulo Thomáz Perille, na manhã desta quarta-feira (28), durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para debater a crise hídrica no Estado.

 

Segundo o diretor, a situação dos reservatórios do Estado é gravíssima. Ele explicou que os mananciais estão deteriorados e o armazenamento é de apenas 30%, enquanto em anos anteriores superava, no mínimo, 70%.

 

“A ação imediata para controlarmos o problema é a redução do consumo pela população. Sobretaxas, rodízios de fornecimento e racionamento ainda podem ser adotados”, alertou Perille. Além do apoio da sociedade, ele afirmou que será implantado um plano de contingência que contempla a perfuração de novos poços artesianos, a ampliação da captação nas nascentes e a busca de pontos de vazamento e desperdício.

 

O vice-presidente da Copasa, Antônio César Pires Miranda Júnior, reforçou as palavras do diretor de operações e destacou que a nova gestão da empresa pretende se pautar pela transparência e a proteção social dos seus colaboradores. Em sua fala, também destacou que a situação da água em Minas Gerais é crítica e não será totalmente resolvida em curto prazo. “O plano de contingência será adotado e o governador Fernando Pimentel está buscando apoio da União para que o trabalho tenha início o quanto antes”, disse. Ao lembrar que não houve planejamento da empresa nos últimos anos, ele também não descartou a possibilidade de racionamento ou sobretaxa pelo mal uso da água.

 

Mineradoras

 

O presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT) disse que a crise da água é global, mas alertou que os minerodutos em Minas Gerais tem agravado o problema. Ele lamentou que, apesar disso, existem projetos para a criação de outros pontos de mineração no Estado. “Água vale mais que o minério. Venho denunciando o risco de falta de água há mais de 20 anos na comissão e, em 2014, o prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda rechaçou estes alertas. Agora não há como esconder a crise”, salientou.

 

O deputado Rogério Correia (PT) aponta a má gestão e a falta de chuvas como as causas da situação hídrica do Estado. Para tanto, sugeriu a criação de uma Secretaria Extraordinária das Águas, uma redução das ações minerárias, ações que preservem os reservatórios e um maior controle na irrigação nos campos. “O consumo maior não é o residencial e sim o da agropecuária. A população tem que ajudar, mas é preciso rever o gasto nas lavouras”, ponderou.

 

O deputado Fábio Cherem (PSD) criticou a gestão anterior da Copasa, que, segundo ele, não tratou a crise hídrica como deveria. Para ele, a escassez de chuva é um fato, mas apontou que não foram feitas ações de conscientização e mobilização da sociedade. “A gestão da água agora será radical, mas poderia ter sido evitada”, afirmou.

 

Os deputados João Leite (PSDB) e Duarte Bechir (PSD) discordaram das críticas à gestão anterior da empresa, ao afirmarem que o antigo governo realizou ações e iniciativas que serão mantidas pelo atual chefe do Executivo. Para ambos, o problema não é apenas em Minas Gerais, mas nacional.

 

A deputada eleita Marília Campos (PT), que também participou da reunião, chamou atenção para o fato de não ser imputado apenas na população o esforço na economia de água. Ela acredita que a responsabilidade tem que ser dividida com outros setores da economia, como as indústrias e a agropecuária.

 

Providências

 

Após a audiência, foram aprovados diversos requerimentos relativos à crise no setor hídrico. O deputado Durval Ângelo pede à presidente da República que o Parque Nacional do Gandarela, que tem mananciais que abastecem a RMBH, contemple outros 20% de área que ficaram de fora do decreto; solicita ao Ministério do Meio Ambiente que realize vistorias e fiscalize as ações das mineradoras que atuam na RMBH; e que a Mesa da ALMG crie uma comissão permanente das Águas no Parlamento mineiro.

 

O deputado Rogério Correia pede a criação da Secretaria Extraordinária das Águas, sem acarretar custos aos cofres públicos, fazendo uso do corpo técnico da Copasa, para que se pense estrategicamente a gestão da água no Estado.

 

Finalmente, o deputado Duarte Bechir, solicita à presidente da República que isente as empresas de saneamento dos tributos do PIS e do Cofins, de modo a proporcionar mais recursos para investimentos destas companhias em gestão da água.

 

(* Com ALMG)

02-02-2015