Situação de reservatórios é crítica também em dezenas de cidades do interior



A maioria das 252 cidades de Minas que possuem serviços autônomos de água e esgoto (SAAEs) também enfrenta dificuldades para garantir o abastecimento. O motivo é a redução em até 50% da vazão dos reservatórios. A informação é da vice-presidente da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), Tânia Maria Duarte. De acordo com ela, há dinheiro para obras de infraestrutura hídrica, mas falta as prefeituras elaborarem tais projetos.

 

Tânia, que é superintendente do Consórcio Intermunicipal de Saneamento Básico da Zona da Mata (Cisab), afirma que, nessa região, a situação é crítica. A maior parte dos SAAEs está sem condições de captar água devido à estiagem. “Em Viçosa, Acaiaca e Lima Duarte, a situação é grave”.

 

Segundo ela, nos vales do Mucuri e Doce, muitas prefeituras “não oficializaram o racionamento, mas estão fazendo o controle para que o quadro não piore”, como é o caso de Governador Valadares. “Uma fatia significativa dos filiados à Assemae tem política de racionamento”. Tânia avalia que a falta de planejamento e gestão comprometeu o abastecimento. “Dinheiro tem, o que não tem é projeto. Os municípios precisam ter planejamento para obter recursos”.

 

Para ela, o problema pode ser contornado com a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), uma forma de planejar prioridades para a cidade. “Com os PMSBs, os prefeitos têm como cobrar a implementação de obras de infraestrutura hídrica diretamente ao governo do Estado e à União”.

 

ENERGIA TÉRMICA

 

Em São José da Lapa, cidade de 20 mil habitantes, na região Central, a prefeitura decidiu liberar alvarás para construtoras somente se houver o comprometimento com a instalação de sistemas de aquecimento solar de água e de recolhimento de água da chuva nos imóveis (tanto residenciais quanto comerciais).

 

Conforme o secretário municipal de Planejamento, José de Assis, essa iniciativa foi uma das medidas para economizar água.

 

ESCASSEZ

 

Em Itabira, também na região Central, a crise de abastecimento de água é ainda mais grave do que em setembro de 2014, quando começou o racionamento. Como há mais de um mês não chove na região, a produção de água do Sistema Pureza, responsável por abastecer 55% do município, caiu de 76 para 25 litros por segundo nesta semana. O fornecimento de água é interrompido das 8h às 18h, diariamente.

 

26-01-2015